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Paisagismo e Jardinagem

Carnavais de Antanho

O carnaval ou entrudo, como era chamada no Brasil esta festa dedicada ao rei Momo, em meados do século XIX, era rudimentar e singelo. Foi Jean-Baptiste Debret (1768 — 1848) quem pintou as primeiras tentativas de implantar esta tradição importada das Ilhas dos Açores, onde se divertiam com limões feitos de cera e água perfumada.

Paródia de Carnaval, gravura, meados do século XIX, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa

Paródia de Carnaval, gravura, meados do século XIX, Lisboa – Arquivo Municipal de Lisboa

O povo não se surpreendia vendo o Imperador e seus ministros brincando com ovos podres e folhas de hortaliças, emporcalhando os aparatosos trajes confeccionados com veludos, sedas e brocados. O próprio Dom Pedro II acabou, em uma dessas folias, no meio de um tanque de água, para algazarra de todos e olha que nosso Imperador era tido como um homem sério e por vezes até taciturno.

"Kambilistas" no Rio, gravura de Jean Baptiste Drebet, do século XIX

“Kambilistas” no Rio, gravura de Jean Baptiste Drebet, do século XIX

Foi em 1840 que se realizou o primeiro baile de máscaras, com forte influência francesa, no Rio de Janeiro. Mas, nas ruas, a tradição era portuguesa, com muita água, farinha e grupos que saiam cantando pelas ruas.

O carnaval foi se tornando popular por todo o Brasil e tiveram outras influências, na Bahia, por exemplo, os africanos trouxeram o afoxé, que eram turmas de negros cantando em nagô, fantasiados com roupas coloridas e ostentosas. Em Pernambuco surgiu o frevo em 1909, quando o povo ligava a dança frenética a algo que fervia, que pegava fogo.

Escrava vende limões-de-cheiro em seu tabuleiro, Debret, 1823

Escrava vende limões-de-cheiro em seu tabuleiro, Debret, 1823

Um personagem marcante e também histórico foi o sapateiro José Nogueira de Azevedo Paredes, que trouxe para o Rio de Janeiro, de sua terra, no Norte de Portugal, uma tradição conhecida como “Zé Pereira”. Era formado por um grupo carnavalesco que, na véspera do carnaval, desfilava anunciando a festa com bumbos, zabumbas e outros instrumentos de percussão fazendo um barulho ensurdecedor e cantando:

“Viva o Zé Pereira
Que a ninguém faz mal
E viva a bebedeira
Nos dias de carnaval!”

Este divertido lusitano desfilou por primeira vez, cantando essa marchinha em 1846.

Hoje os desfiles são suntuosos e em nada lembram os tímidos blocos do Zé Pereira, nem aqueles foliões fantasiados de esqueletos, que usavam máscaras e roupas de defuntos para que, de algum modo, pudessem encarnar parentes e amigos mortos e fazer de conta que eles conseguiriam, assim, se divertir também.

Feliz carnaval a todos nossos amigos do “Jardim Cor”!

Raul Cânovas nasceu em 1945. Argentino, paisagista, escritor, professor e palestrante. Com 50 anos de experiência no mercado de paisagismo, Cânovas é um profissional experiente e competente na arte de impactar, tocar, cativar e despertar sentimentos nos mais diversos públicos.

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