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Paisagismo e Jardinagem

Domingo de Páscoa

Há mais de 600 anos, morria Catarina Benincasa, aquela doce e bela Catarina que a Igreja Católica a santificaria, mais tarde, especialmente, porque foi num fim de semana, como este, que José de Arimateia, um membro respeitável do Conselho Supremo, junto com Nicodemos, retirou da cruz o corpo inerte de Jesus, para prepará-lo com unguentos feitos com mirra e uma resina vegetal que chamavam de aloe, para que pudessem sepultá-lo. Era véspera de Pessach e estes homens caridosos cumpriam mais uma vez o ritual, que já era tradição entre os judeus, desde as épocas em que viviam no Egito, onde corpos eram embalsamados a fim de prepará-los para uma futura ressurreição.

Pascoa

É interessante lembrar que a mirra era uma resina aromática que se tirava de um arbusto nativo da Arábia e que foi um dos presentes que os Reis Magos levaram para Jesus quando ele nasceu. Isto não foi uma mera coincidência, a mirra representava a morte e a ressurreição, enquanto que o ouro simbolizava a dignidade real e o incenso, sua missão entre os homens.

Vinte séculos atrás o mundo vivia uma época onde se dava muita importância aos símbolos e as expressões que pudessem revelar os segredos divinos, para as almas dos homens e mulheres.
Era preparado um cordeiro macho, sadio e sem nenhum defeito, morto dias depois, seu sangue era utilizado para tingir o umbral da porta de entrada das residências e o corpo era assado inteiro, sem quebrar os ossos e comido com pães ázimos, ou seja, pães sem fermento, acompanhados com ervas amargas.

Todos estes ritos, tinham como significado a vitória da alma sobre o mal e culminavam exatamente no domingo de Páscoa.

Hoje, confesso que alguns acontecimentos me deixam perplexo, um deles é a farra do boi, exatamente, numa região que foi batizada com o nome de Santa Catarina, aquela mesma, linda Catarina que falei antes, e que hoje se comemora no calendário católico, a data de seu desprendimento material em mais ou menos 1380. Será que faz parte da homenagem atormentar ate o cansaço, um pobre animal que deveria merecer por parte de nós, pretenso seres superiores, uma boa dose de misericórdia?

E falando em misericórdia, me lembro também do perdão, outro sentimento cristão esquecido e pisoteado no meio de uma fúria enlouquecida, que malha o Judas sem a mínima compaixão, é incrível, tentamos ser indulgentes, mas não esquecemos. São séculos de ameaças, ofensas, fideismo cego, tormentos infligidos e convicções incertas.

Uma coisa que talvez me anime é que, domingo, haverá com certeza, pessoas se abraçando, sem se lembrar de dívidas, nem de culpas, se amando pelo puro prazer que o amor pode dar, e acreditando que esse “ovo”, que será quebrado, vai libertar muito mais do que a doçura de um monte de balas coloridas. Esse ovo que é o símbolo do começo de tudo, vai originar, quem sabe, um pouco de tolerância entre os homens de boa vontade e, também, entre aqueles desprovidos desta faculdade que magicamente contagiados (pelo menos me permito esta quimera) pelas fileiras da compreensão, tornem este mundo, onde ainda existem focos de ódio e de guerras, em um planeta confiável.

Espero, sinceramente, que estes dias que formam a semana santa, sirvam para traçar e gerar um futuro, onde pelo menos nossos filhos não pensem em desistir da vida, mesmo porque, alguém já fez isto com a certeza de que a raça humana era uma criação divina e, portanto merecedora de credito.

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