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Paisagismo e Jardinagem

O (re)conhecer constante da essencialidade das árvores

Ferramentas multidimensionais do desenvolvimento

“Cinza, caro amigo, é toda teoria. E verde, a árvore dourada da Vida.” Goethe
Ramis Tetu – originalmente publicado no Jornal do Tocantins em 24 SET 21

Árvores são as rainhas dos ecossistemas terrestres e essenciais tanto à Teia da Vida na Terra quanto às atividades humanas. Em florestas nativas ou plantadas, elas estão no centro ou no suporte de diversas cadeias produtivas agrícolas e industriais e também das soluções de vários dos problemas e necessidades dos brasileiros. São decisivas na segurança hídrica, agronômica e alimentar do país e no provimento e qualificação da correta taxa de natureza para a melhoria das cidades. Um bom projeto de Brasil passa necessariamente pela sua valorização estratégica em todas estas dimensões. As pessoas também podem adotá-las como ferramentas de saúde e desenvolvimento pessoal. São muitas as enormes razões, sob o olhar social, econômico, estratégico e filosófico, para entendermos, cultivarmos e protegermos estes seres tão fantásticos. Todos os dias do ano, não só em seu dia.

Olhares distintos

Árvores são seres tão fantásticos na contradição de sua simplicidade, complexidade,  multifuncionalidade e essencialidade, que exigem olhares distintos de diversas ciências para a sua compreensão e bom manejo: o biológico, o agronômico, o ecológico, o florestal, o de infraestrutura verde, o urbanístico, o paisagístico, o estético, o histórico, o econômico, o filosófico, entre outros…

Serviços ecossistêmicos

Árvores participam decisivamente, em nível local e global, da regulação do clima, do sequestro de CO² e da produção de oxigênio. Florestas são essenciais no ciclo da água como guardiãs dos territórios que a produzem e como fábricas de chuvas, pois suas árvores extraem a água do solo e subsolo e a bombeiam para a atmosfera. Depois, promovem a infiltração das próprias chuvas no perfil do solo e a consequente recarga dos aquíferos, córregos e nascentes.

Vida na economia 

A economia florestal é um tronco da economia verde no Brasil, turbina do nosso desenvolvimento ainda pouco usada em todo o seu potencial, com suas enormes ramificações agroindustriais em: alimentos, madeira, fármacos e comésticos, energia, papel e celulose, entre outros. Florestas também atuam local e regionalmente no equilíbrio climático, hídrico e edáfico das culturas e propriedades e como laboratório de inimigos naturais das suas pragas e doenças. Em áreas de uso ou de preservação, ou até mesmo rompendo as fronteiras entre estas, com as possibilidades das agroflorestas, produtivas e ambientais ao mesmo tempo. Plantios florestais são ainda importantes geradores de renda e trabalho para a população.

Vida nas cidades

Jan Ghel, conceituado arquiteto dinamarquês, colocou uma equação simples, essencial e assertiva para o desenvolvimento das cidades: “Primeiro vida, depois espaços, depois, prédios. O outro jeito nunca funciona.” As boas cidades exigem uma generosa dose de natureza e presença humana permeando o seu tecido. E as árvores são fantásticas em promover estes dois fatores, como rainhas da dimensão natural terrestre e por sua capacidade de acolher os humanos em diversos sentidos.

Coitado do poste, que só segura o fio!

Nas cidades, as árvores são equipamentos multifuncionais, eficazes e baratos, atuando como ar-condicionado, bomba umidificadora, pergolado, filtro de poluição e ruído, parte do sistema de drenagem pluvial e, de quebra, frutaria. São kit anti-loucura, delineiam a paisagem amenizando a aridez desumana do domínio construído, e preparam as vias para o bem andar, pedalar e estar das pessoas, na boa mobilidade urbana. Promovem assim, não apenas beleza, mas qualidade de vida, saúde, assistência social, identidade local e desenvolvimento turístico e econômico.

Superioridade paisagística

Via de regra, a dimensão arbórea é essencial aos bons projetos de paisagismo, quando este é entendido em suas funções ambientais, sociais, econômicas e urbanísticas, muito além da dimensão meramente decorativa. Esta importância aumenta quando vamos além da escala micro e pensamos as paisagens urbanas, rurais e regionais.

As sociedades das árvores

Se você quiser bem pensar e fazer boa gestão de árvores em sua cidade, associe-se à Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, no site SBAU, um espaço transversal com fantásticas oportunidades de interação e aprendizado com grandes profissionais de diversas áreas e vertentes técnicas, de todas as regiões brasileiras. No início de outubro a SBAU irá promover o seu Congresso Brasileiro e Iberoamericano com o tema “Arborização urbana na Década da Restauração”. Acesse WWW.virtual.cbau.eco.br. Outras sociedades como a ABAP, de arquitetura paisagística, e a SOBRADE, de recuperação ambiental, também são essenciais nesta jornada.

Antenas da Vida

Árvores são escolas a céu aberto que ensinam a beleza da vida. Elas representam a generosidade, a diversidade, a integração, o poder e a eficácia da natureza, ainda mais quando expressas em florestas – um sistema integrado de árvores e outros seres. Deveriam ser inspiração para a vida das pessoas e o desenvolvimento da nossa democracia. Árvores são antenas com as quais as pessoas podem acessar a vida, o universo e o sagrado, redes mais importantes que a internet. Mas para fazer uso desta ferramenta de sabedoria e desenvolvimento pessoal, é preciso abrir a mente e o espírito para entender e se conectar, não sem antes desapegar-se do excesso de urbanidade e modernidade que vivemos.

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