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Paisagismo e Jardinagem

Viajando em outubro

Deixei a cidade toda enfeitada com o lilás azulado dos jacarandás e o início, ainda tímido, da florada de sibipirunas e tipuanas.

Ao afastar-me da metrópole, direção sudoeste, surpreendi-me com a glória amarela dos guapuruvus (ou ficheiras como também são conhecidas).

Ao longo da estrada, setembrinas primaveras de cor púrpura, vermelha, rosada e, em menor número, branca e alaranjada, continuam floridas.

Aos poucos a paisagem se modifica, torna-se rural. Pastos semiverdejantes (é época do final da seca) e algumas culturas substituem as indústrias; só existe o comércio de beira de estrada, casinhas esparsas ou porteiras que identificam propriedades maiores.

Tatuí surpreendeu-me com raros ipês rosa pálido e fez-me lembrar dos amarelos de agosto e dos roxos cuja florada aconteceu no início do inverno quando também as suinãs-candelabro exibiam sua beleza encarnada.

Passada Itapetininga tornam-se mais frequentes os capões de mata nativa onde florescem pitangueiras e guabirobas.

As árvores decíduas já exibem nova folhagem e as outras, se cobrem de brotos verdes clarinhos ou cor de cobre. Por todo o caminho, onde quer que haja água de um rio ou regato, esses “matos” enfeitam o ondular da paisagem.

Desapareceram os jacarandás que só reencontrei ao passar por centros habitados onde são frequentes também as alamedas de flamboyants cuja florada acontecerá a partir de dezembro. Nesses lugares, quase todo o alambrado ou cerquinha exibe a seus pés a coroa-de-cristo.

Tornam-se comuns os reflorestamentos de pinheiros e de eucaliptos e já são numerosos os pinheiros do Paraná, nativos ou plantados, que encantam com sua imponência. O trigo doura as colinas enquanto o verde de outras culturas, consequência da irrigação, promete farta colheita.

Fico pensando nas floradas dos próximos meses. As paineiras, os manacás da serra, os falsos barbatimão e as quaresmeiras ainda irão me encantar.

Todas as mudanças da natureza e o ciclo das plantações, se prestarmos atenção, tornam nossas viagens pelas estradas do Brasil mais interessantes e os caminhos pelos quais enveredamos mais fáceis de percorrer!

Escritora, poliglota, amante da leitura e apaixonada pelo mundo vegetal.

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