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Paisagismo e Jardinagem

O fabuloso mundo das orquídeas

Começar esta matéria dizendo que as orquídeas formam uma família com 35 mil espécies e infinitas variedades, que vivem pelas mais diversas regiões do planeta já seria assombroso. Apenas na Colômbia existem cerca de 3.500 espécies. Sim, essa família é a mais numerosa de todo o reino vegetal. Algo assim como a família Silva ou Santos.

Outro aspecto interessante é que Teofrasto (372-287 a.C.), botânico e também filósofo, usou a palavra orkhis (testículos em grego) para classificar estas plantas, por causa da aparência dos bulbos. Orchis, segundo a mitologia grega, era filho de um sátiro e de uma ninfa e se apaixonou por uma das musas, quando acompanhava o deus Dionísio. Na tentativa de ser seduzida pela força, ela rogou as feras que habitavam o bosque para que o atassem, mas, em seguida, arrependida, pediu aos deuses que a perdoassem e eles, comovidos, absolveram a jovem e transformaram Orchis na flor mais bonita da Grécia.

A conotação sexual das orquídeas, na Grécia antiga, era tal que Plínio, o Velho (23-79) recomendava aos homens que comessem tubérculos grandes para gerar filhos de sexo masculino e as mulheres, se quisessem filhas, deveriam ingerir os menores. A Orchis morio, por exemplo, é chamada popularmente de tetículos-loucos, na Europa, especialmente na região do Mediterrâneo. Pela semelhança com o órgão reprodutor masculino e também pelo tamanho avantajado, a orquídea conhecida como satirião foi classificada como Orchis mascula.

O conceito erótico não fica restrito a Europa, os árabes também chamam de “joça-ataleb” (testículos-de-raposa) a algumas delas como a O. militaris e a O. maculata; delas é extraída uma farinha que compõe o “salepo” afrodisíaco notável que contém: 50% de mucilagem, 25% de fécula, 5% de proteínas e apenas 1% de açúcar.

Os biólogos ficam fascinados, não apenas com a beleza das flores, mas, especialmente com a diversidade de cores e formas, O tamanho delas pode variar de 1 cm ate mais de 30 cm. São terrestres, litófilas (que medram em rochedos), semi-aquáticas, epífitas (que vive sobre outro vegetal sem, entretanto dele alimentar-se) ou, no caso de algumas espécies australianas, crescendo embaixo da terra.

O CULTIVO

O sustrato mais adequado

Excetuando as epífitas, o substrato irá garantir um bom desenvolvimento das mudas. Ele deve ser arejado, com uma boa porosidade para permitir a drenagem necessária. Os componentes ideais dependem de cada espécie e os mais aconselhados são: fibra de coco, musgo do tipo esfagno, casca de pinus miúda, piaçava moída, pó de carvão, areia de rio grossa e folhas decompostas.

O habitat

Epífitas: vegetam agarradas aos troncos das árvores, alimentando-se dos nutrientes retidos nos vãos e da umidade ambiente. Não absorvem nada da árvore hospedeira, apenas a utilizam como suporte.

Terrestres: crescem no solo, como qualquer outra planta, captando água e nutrientes por médio de suas raízes.

Rupícolas ou litófilas: prosperam sobre as pedras, geralmente com quatro horas de sol, retirando o alimento necessário das fendas que sempre acumulam restos de folhas e outros detritos ricos e nutritivos.

Clima

A maioria das orquídeas vive entre o Trópico de Capricórnio e o Trópico de Câncer, onde as temperaturas oscilam entre 15° e 28° com uma umidade relativa do ar entre 50% e 80%. Quando a umidade fica abaixo dos 40%, e isso acontece especialmente quando a temperatura sobe acima dos 33°, é necessária uma pulverização, para manter as orquídeas hidratadas. Sacadas, pátios e outros locais cimentados, são sempre menos úmidos que áreas ajardinadas.

Luz

Em geral elas preferem locais onde a luz solar é filtrada, em excesso os raios solares endurecem os brotos novos e amarelam as folhas. Já a sombra permanente debilita a planta e inibe a florada.

Adubação

Uma fertilização orgânica, feita de quinze em quinze dias, nos meses mais quentes é importante para manter o viço das plantas. Deixe o equivalente a 1 litro de esterco de boi, num balde com 20 litros de água, durante 10 dias. Depois use 10% dessa calda diluída em 90% de água e regue ou pulverize suas orquídeas.

O NPK 30-10-10 (sempre diluído em água e na dosagem recomendada pelo fabricante) é indicado para as mudinhas novas.

Quando adultas, as orquídeas preferem a fórmula do NPK 18-18-18 ou o 20-20-20.
Na época da florada, com o aparecimento dos primeiros botões e recomendado o NPK da fórmula 00-30-20 (fosfito de potássio).

Prometo, futuramente, falar um pouco mais sobre estas plantas, já que, alem das questões inesgotáveis, são fascinantes!

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6 Comments

  1. Encontrei por acaso o blog e estou amando!!

  2. Oi Raul

    Eu acabei de conhecer o site e queria te parabenizar pelo conteúdo. Eu gostei muito especialmente das introduções que você faz contando uma história relacionada com o tema abordado, porque é diferente, são poucos blogs que fazem isso.

    E se você me permitir, eu gostaria de acrescentar uma informação, sobre como regar as orquídeas.

    Basicamente, como existem muitas espécies, você deve identificar se sua orquídea precisa de água, para fazer isso, basta colocar o dedo no meio do substrato e verificar se está seco, se ele estiver, está na hora de molhar, se não, espere mais um dia e verifique denovo.

    E no caso de orquídeas que ficam sem substrato como a vanda, você deve perceber se as raízes estão secas (elas mudam de cor, porque molhadas elas ficam verde escuras)

    Raul eu escrevi um pouco sobre a rega e o cultivo das orquídeas no meu site, se você se interessar: http://orquideasblog.com/como-cuidar-de-orquideas/

    Parabéns pelo artigo, eu gostei muito da maneira que você escreve

    • Olá Thiago,

      Muito obrigado por acrescentar conhecimentos ao meu comentário sobre as orquídeas. Realmente são valiosos e fico muito agradecido pelas dicas.

      Seu site é bem completo sobre elas. Parabéns!

      Abraços verdes!

  3. O que significa “a fórmula do NPK 18-18-18 ou o 20-20-20.” Como aplico o NPK? Obrigada pelas publicações. Grande abraço

    • Cara Martha,

      NPK é uma sigla empregada, na jardinagem e na agricultura, que designa os três nutrientes mais importantes para as plantas (nitrogênio, fósforo e potássio), também chamados de macronutrientes, na composição de um fertilizante. Os números indicam a porcentagem presente, na fórmula, de cada um desses elementos.

      Deve ser diluído em água e aplicado 3 vezes por ano.

      Abraços

  4. Obrigada pelo artigo, adorei, como os demais, é muito interessante e útil.Vou aguardar mais informações, adora orquídeas , elas me fascinam ! Se possível gostaria de ter informações sobre o “jasmim dos poetas”adoro seu perfume, mas não sei como cultiva-lo,gostaria de tê-lo na varanda do quarto.