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Paisagismo e Jardinagem

O jardim aromático

É interessante meditar sobre nossas faculdades: ver, ouvir, degustar, tocar com nossas mãos e cheirar. Os que não conseguem enxergar são chamados de cegos, que não ouve é surdo, perder o paladar e uma doença conhecida como ageusia e a perda da sensibilidade tátil chamamos de neuropatia periférica. Mas quando desaparece nosso olfato pouca gente sabe que é uma anosmia. Com a pandemia do Coronavírus este dano começou a ganhar notoriedade pela incapacidade de sentir odores, que muitos pacientes notavam na Coreia do Sul, Itália, Alemanha, Irã, França e China. Aqui, no Brasil, há indícios desta ocorrência no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Gardenia jasminoides – jasmim-do-cabo

Entretanto não é comum ouvirmos a palavra anosmia. Perder o olfato seria terrível para quem ama o jardim, suas plantas e o perfume que as flores exalam. Contam que Alexandre, O Grande (356 a.C. — 323 a.C.), deu sementes e mudas de plantas da Pérsia ao filósofo ateniense Teofrasto (372 a.C. — 287 a.C.), e este criou um jardim botânico, sendo autor do primeiro tratado sobre cheiros, que ele classificava como bons o ruins. Essa obra especificava receitas aromáticas e perfumadas, indicando os prazos de validade e seus usos terapêuticos. Segundo o texto os perfumes deviam ser resguardados da luz solar, já que o sol e o calor modificavam seu aroma. Quando Alexandre morreu foi cremado em uma pira alimentada com olíbano e mirra. Graças ao historiador Heródoto (485 a.C.–425 a.C.), narrando as primeiras experiências na extração de cheiros de pétalas e folhas, e de seus usos e funções no preparo de unguentos, loções e perfumes, começamos a entender um pouco de tudo isto.

Lathyrus odoratus – ervilha-de-cheiro

Já o botânico, zoólogo e médico sueco, Carl Linnaeu (1707 – 1778), avança um pouco dizendo que as plantas aromáticas podem ser fragrantes, ambrosíacas, liliáceas (com cheiro de alho),  hircinas (como o odor da cabra). fétidas ou nauseabundas. Depois dele poucos falaram sobre isto. Matuto que as cores se definem pelo arco íris, os sons palas notas musicais, mas não há nenhuma escala muito conhecida que classifique os perfumes.

Lavandula angustifolia – lavanda

Lavandula angustifolia – lavanda

Durante toda minha vida fui descobrindo que o mundo vegetal se empenhou, com persistência, em criar estratégias para atrair a avifauna. As flores intensificavam suas cores e tamanhos para serem notadas e, assim, oferecer seu néctar e seu pólen para garantirem a perpetuação da espécie. Mas além disto tem a fragrância que elas exalam e o interessante que esse aroma não é liberado durante o dia todo, dependendo do polinizador pode ser sentido de manhã, a tarde ou no período noturno, quando os morcegos fazem a festa se deleitando com o gosto saboroso da  Bauhinia rufa, do imbiriçu-do-cerrado ou da Mucuna e para você começar a sentir carinho por eles, saiba que um único morcego pode comer até 1000 pernilongos por noite!

Michelia champaca – magnólia-amarela

Mas é claro que há uma enxurrada de beija-flores, borboletas e sabiás-laranjeira que se deleitam com o perfume emitido pelas flores. Embora nós, seres humanos, não sejamos polinizadores, nos deleitamos andando pelo jardim para sentir os aromas balsâmicos que as flores inventam.

Seguem algumas da minha preferência:

  • Acacia farnesiana – esponjeira;
  • Aglaia odorata – aglaia;
  • Brugmansia suaveolens – datura;
  • Brunfelsia uniflora – manacá-de-cheiro;
  • Buddleja davidi – budléia;
  • Carissa macrocarpa – ameixa-de-natal;
  • Cassia ferruginea – chuva-de-ouro;
  • Cestrum nocturnum – dama-da-noite;
  • Chonemorpha fragrans – cipó-de-leite;
  • Citrus –  laranja, limão, lima, tangerina, bergamota, cidra, etc.;
  • Clerodendron fragrans – clerodendro-perfumado;
  • Dalbergia nigra – jacarandá-da-bahia;
  • Daphne odora – dafne-perfumado;
  • Dianthus caryophyllus – cravo;
  • Dracaena fragrans massangeana – pau-d’água;
  • Freesia hybrida – frésia;
  • Gardenia jasminoides – jasmim-do-cabo;
  • Gelsemium sepervirens – jasmim-carolina;
  • Hedychium chrysoleucum – lírio-amarelo-do-brejo;
  • Hedychium coronarium – lírio-do-brejo;
  • Heliotropium arborescens – heliotrópio;
  • Hoya carnosa – flor-de-cera;
  • Jasminum azoricum – jasmim-dos-açores;
  • Jasminum grandiflorum – jasmim-italiano;
  • Jasminum nitidum – jasmim-estrela;
  • Jasminum polyanthum – jasmim-dos-poetas;
  • Jasminum sambac – jasmim-bogari;
  • Lathyrus odoratus – ervilha-de-cheiro;
  • Lavandula angustifolia – lavanda;
  • Lobularia maritima – alisso;
  • Lonicera japonica – madressilva;
  • Magnolia grandiflora – magnólia-branca;
  • Matthiola incana – goivo;
  • Melia azedarach – cinamomo;
  • Michelia champaca – magnólia-amarela;
  • Murraya paniculata – falsa-murta;
  • Nelumbo nucifera – lótus;
  • Nerium oleander “Carneum Plenum” – espirradeira;
  • Nicotiana alata – jasmim-tabaco;
  • Ocotea odorifera – canela-sassafrás;
  • Osmanthus fragrans – jasmim-do-imperador;
  • Philadelphus coronarius – filadelfo;
  • Pimenta dioica – pimenta-da-jamaica;
  • Pittosporum tobira – pitósporo;
  • Quisqualis indica – jasmim-da-índia;
  • Randia formosa – estrela-do-norte;
  • Spathiphyllum cannifolium – lírio-da-paz-perfumado;
  • Stephanotis floribunda – jasmim-de-madagascar;
  • Syringa vulgaris – lilás;
  • Tetradenia riparia – pau-incenso;
  • Trachelospermum jasminoides – jasmim-de-leite;
  • Vanilla – mais de 100 espécies da família das orquidáceas;
  • Viburnum tinus – viburno;
  • Victoria amazonica – vitória-régia;
  • Viola odorata – violeta-de-cheiro.

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