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Paisagismo e Jardinagem

O banco como descanso

Uma maneira de contemplar a paisagem sem esquecer a criatividade

O banco em um jardim não é um banco qualquer; não é como aquele da estação de trem ou do metrô no qual as pessoas sentam para esperar; ele está ali para suportar não apenas nosso corpo mas, especialmente, a necessidade que temos de contemplar a paisagem, ele espera que relaxemos, que deixemos para trás o estresse e a roupa excessivamente formal e que sentemos nele para, afinal, respirar fundo e sermos nós mesmos, com nossos sonhos e a nossa latinha de cerveja na mão.

Por isso, prefiro usar nos meus projetos materiais genuínos como o tijolo, a pedra e a madeira, esta última sempre mais aconchegante e branda. No que tange a design, descarto os rebuscamentos do Classicismo e dos estilos ultrapassados tentando sempre ser contemporâneo por que, só desta forma, é possível oferecer a ergometria necessária para um conforto perfeito.

Do mesmo modo que o decorador procura dar a máxima comodidade no sofá da sala, o paisagista precisa projetar assentos que permitam descanso. O indispensável “repouso do guerreiro”.

Para isto devemos estar atentos a algumas medidas: a altura do assento deve ser de aproximadamente 42 cm, a profundidade não deve ser inferior aos 38 cm e, a largura ideal de um banco para duas pessoas, deve ser de 120 cm como mínimo. Obviamente tudo deve ser proporcionado para podermos obter um resultado primoroso; o que me parece importante destacar é que este tipo de mobiliário vai estar inserido em uma área externa onde espaços são, geralmente, maiores que os internos, por isso deve-se trabalhar com uma certa magnitude deixando de lado os acanhamentos para não cometer o pecado de desenhar uma peça discordante do ambiente para a qual foi destinada.

No final das contas, ninguém vai valorizar algo parecido com os mochos, em que o peão senta para tirar leite e que são sempre pequenos e tímidos; todo mundo quer algo generoso e amplo onde, além de descansar, possamos compor um canto agradável e elegante.

Raul Cânovas nasceu em 1945. Argentino, paisagista, escritor, professor e palestrante. Com 50 anos de experiência no mercado de paisagismo, Cânovas é um profissional experiente e competente na arte de impactar, tocar, cativar e despertar sentimentos nos mais diversos públicos.

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2 Comments

  1. Adorei a reportagem! Vou compartilhar com meus alunos de paisagismo!!!! Muito bom! Parabéns! Sou sua fã!!

    • Ah, que bom, Ana Cristina, compartilhe sim! Obrigado pelo carinho!!!

      Abraços