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Paisagismo e Jardinagem

Os Musgos

Você já acariciou um musgo? Em algum momento de sua vida passou a mão no tapete verde formado por qualquer uma das, pelo menos, 12.000 espécies?

Juro que é uma sensação impar esse prazer de tocar um veludo vivo que emana uma energia tão especial.

Na maioria das vezes os musgos crescem principalmente em áreas de umidade e sombra, como áreas arborizadas e nas margens de córregos. Mas eles podem crescer em qualquer lugar, em climas frios e úmidos e algumas espécies são adaptadas a áreas ensolaradas e sazonalmente secas, como rochas alpinas ou dunas de areia estabilizadas. Embora os musgos cresçam frequentemente nas árvores como epífitas, eles nunca as parasitam. Os musgos também são encontrados em rachaduras entre pedras de pavimentação nas ruas úmidas da cidade e nos telhados. Algumas espécies adaptadas a áreas ensolaradas estão bem adaptadas às condições urbanas e são comumente encontradas nas cidades, podendo sobreviver depois de longas estiagens, às vezes por meses, retornando à vida dentro de algumas horas de reidratação. Há espécies economicamente importantes como as do gênero esfagno que formam a turfa.

Não possuem flores e portanto não dão sementes, tampouco tem folhas, galhos ou raízes verdadeiras, reproduzindo-se através de esporos, que germinam em solos úmidos, cascas de árvores, pedras, concreto, ou  qualquer outra superfície razoavelmente estável. A fertilização não pode ocorrer sem água e sem vento. Há musgos masculinos e femininos, sendo estes últimos mais perfumados. Muito primitivos vivem há 470 milhões de anos no nosso planeta e conseguem absorver vinte vezes seu próprio peso. O musgo tende a crescer em colônias, com várias plantas crescendo juntas, o que cria uma aparência agradável e suave como um carpete que torna os jardins de musgos tão bonitos.

Frequentemente é considerado uma erva daninha nos gramados, mas é deliberadamente encorajado a crescer sob princípios estéticos exemplificados pela jardinagem japonesa. Nos antigos jardins dos templos, o musgo podia cobrir uma cena da floresta. Acredita-se que ele acrescente uma sensação de calma, idade e quietude a um cenário ajardinado. O musgo também é usado em bonsai para cobrir o solo e aumentar a ideia da idade.  Materiais que são porosos e que retém umidade, como tijolo, madeira e certas misturas de concreto grosso, são hospitaleiros para ele. As superfícies também podem ser preparadas com substâncias ácidas, incluindo iogurte, urina e misturas de musgo.

Musgos são usados ​​às vezes em telhados verdes. As vantagens deles sobre plantas superiores nesses telhados incluem cargas de peso reduzidas, maior absorção de água, sem necessidade de fertilizantes e alta tolerância à seca. Como os musgos não possuem raízes verdadeiras, eles exigem menos espessura de solo do que plantas superiores com sistemas radiculares extensos. Com a seleção adequada das espécies para o clima local, os musgos em telhados verdes não necessitam de irrigação, uma vez estabelecidos, assim como tampouco manutenção.

Tribos norte-americanas e outras comunidades circumpolares usavam musgos como cama. Também têm sido usados ​​como isolamento para habitações e roupas. Tradicionalmente, o musgo seco era usado em alguns países nórdicos, no nordeste dos Estados Unidos, sudeste do Canadá e na Rússia como isolante entre as toras em cabanas de madeira, assim como pela capacidade de absorver fluidos, fez sua utilização prática em usos médicos; na Primeira Guerra Mundial, os musgos esfagno foram usados ​​como curativos de primeiros socorros nas feridas dos soldados, já que eles absorvem líquidos três vezes mais rápido que o algodão e possuem propriedades antibacterianas. Os índios norte-americanos usavam musgos para fraldas, curativos e absorção de fluido menstrual. As tribos do Noroeste do Pacífico, nos Estados Unidos e no Canadá, o utilizavam para limpar o salmão antes da secagem.

O musgo do esfagno é colhido enquanto ainda cresce e é seco para ser usado em viveiros e horticultura nos processos de reprodução conhecidos como alporques.

Entretanto, sua função estética é inegável no paisagismo, tornando o espaço em um lugar cheio de incógnitas e segredos, onde a luz do sol penetra vagarosamente por entre as copas das árvores, deixando no terreno  uma peculiaridade encantadora.

Raul Cânovas nasceu em 1945. Argentino, paisagista, escritor, professor e palestrante. Com 50 anos de experiência no mercado de paisagismo, Cânovas é um profissional experiente e competente na arte de impactar, tocar, cativar e despertar sentimentos nos mais diversos públicos.

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6 Comments

  1. Amei essa matéria Raul…como Hashem é maravilhoso por nos dar o dom de observar tanras maravilhas da sua criação. Contamos com sua sensibilidade e sua didática. Amo sua vida!

    • Sua crítica me tocou bastante, Rebeca. Obrigado pelo carinho!

  2. Que lindo descobrir tudo isso sobre os musgos!!! Desde pequena sempre gostei muito deles pela sensação gostosa de observar de pertinho quase tocando a ponta do nariz pra tentar entender eles que eu gostava tanto te pisar e passar a mão. Já há muito tempo eu não me lembrava dessas plantas queridas, vou voltar a procurá-los por onde eu passo é redescobrir eles. Obrigada Prof. Raul, o senhor é sempre docemente inspirador!

    • Oh, Natália,

      Que mensagem gostosa. Gostei demais!

      Abraço carinhoso!

  3. Raul querido
    Também são excelentes para uso em terrários fechados, meu hobby e minha paixão em fazer pequenos mundinhos tridimencionais.

    • Vivian,

      É verdade, faltou mencionar esse aspecto na minha matéria. Obrigado pelo comentário!

      Abraços