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Paisagismo e Jardinagem

Hábitos brasileiros de consumo de flores e plantas ornamentais no Natal e no Réveillon

O Natal, como todos sabem, constitui-se na maior festa do comércio em quase todo o mundo. E, assim também, o é no Brasil. Para ela, se preparam com a antecedência possível: produtores, distribuidores, atacadistas, varejistas, prestadores de serviços. E, é claro, os bolsos dos consumidores. Afinal, se existe uma coisa que o mercado sazonal exige, é o planejamento. Atento e minucioso, diga-se, para que em poucos dias possa dar conta de garantir o sucesso de todo um ramo de negócios.

Ainda que, para a Cadeia Produtiva de Flores e Plantas Ornamentais, essa não seja a principal data para as vendas – haja vista que a todo ano é suplantada pelo Dia das Mães e dos Namorados –, o comércio natalino sustenta volumes consideráveis de negócios setoriais. A começar, é claro, pela insubstituível árvore de Natal.

Originário da tradição pagã do nordeste europeu, esse ornamento encontra-se profundamente arraigado na tradição cultural brasileira da celebração natalina. Certamente, a árvore de Natal, assim como inúmeros elementos simbólicos religiosos e festivos, foi por nós herdada do colonizador português e, o imaginário a ela associado, ratificado pelas sucessivas ondas de imigrantes italianos, alemães, poloneses – entre tantas outras etnias –, que por aqui foram aportando.

No Brasil urbano contemporâneo, duas espécies arbóreas se destacam na ornamentação natalina: a tuia holandesa (Cupressus macrocarpa) e o pinheiro. A primeira se constitui na líder de vendas, com a comercialização anual de mais de 270 mil unidades, apenas para essa finalidade. Nos meses de novembro e dezembro, ocorrem mais de 80% das vendas das unidades produzidas. O restante, é vendido ao longo do ano para paisagismo e jardinagem. Seus preços são formados de acordo com a variedade (que pode ser a áurea, maçã, limão, Europa, prata e a stricta, de folhas mais escuras e galhos mais resistentes para a decoração), porte e altura da planta. Para os brasileiros, a tamanho preferido para a árvore de Natal é a de 1,5 metro, embora nos últimos anos se observem vendas crescentes para as de porte inferior, com apenas 0,70 metro.

Quanto aos pinheiros as principais variedades comercializadas são o cipreste, o pinheiro-prateado, o pinheiro-dourado e o pinheiro-azul, todos do gênero Chamaecyparis. A comercialização dessas plantas nos principais mercados atacadistas costuma aumentar, em média, 70% entre a primeira quinzena de novembro e o Natal.

Poinsettia pulcherrima

Poinsettia pulcherrima

Outra planta ornamental que tem ganhado grande destaque no comércio sazonal natalino é a poinsétia, não apenas na sua versão vermelha, tradicional, mas também nas rosa, branca, amarela e creme. A planta passou a ser chamada no mercado pelo seu antigo nome científico (Poinsettia pulcherrima), mas, em realidade, continua sendo a velha conhecida “bico-de-papagaio”, dos canteiros da vovó. Arbusto semi-lenhoso, da família das Euphorbiáceas, originário do México, a planta faz parte dos jardins das fazendas brasileiras desde o século XIX.

Só que, agora, essas plantas se apresentam melhoradas geneticamente e culturalmente miniaturizadas para o cultivo e comercialização em vasos, já em plena floração. Na Cooperativa Veiling Holambra , principal centro de comercialização atacadista da floricultura brasileira, só na época do Natal, são vendidas cerca de 700 mil unidades dessas plantas. O hábito de comprar poinsétias para a ornamentação natalina no Brasil é relativamente recente e influenciado pelos padrões norte-americano e europeu. No nosso país, o crescimento do seu consumo está associado também aos seus preços mais acessíveis, em comparação com outras opções de flores envasadas para o período e, ainda, à cultura do transplantio das poinsétias utilizadas na decoração, posteriormente para os jardins residenciais ou condominiais, onde não apenas sobrevivem, mas podem tornar-se arbustos interessantes do ponto de vista ornamental.

Finalmente, entre os hábitos de consumo natalino, cabe destacar as flores de coloração vermelha, a qual, na tradição cristã, possui fortes significados associados ao amor, à paixão e ao sacrifício de Cristo. Por isso mesmo, essa cor é eleita como um grande símbolo da data e costuma ser reproduzida em todos os adornos, além das flores – de corte e envasadas – que tanto podem ser as rosas (Rosa sp.), gérberas (Gerbera jamesonii), amarílis ou açucenas (Hyppeastrum sp.), begônias (Begonia sp.) lírios (Lilium sp.) e gladíolos (Gladiolus x grandiflorus), entre muitas outras opções. Vale estar atento para o fato de que a oferta da maioria dessas espécies não costuma aumentar nesta época do ano. Aliás, muitas delas costumam ter redução, devido ao calor, o que contribui para a notável elevação de seus preços, que podem até triplicar no período.

No Brasil, atualmente, o mercado brasileiro de lírios envasados movimenta pouco mais de 4 milhões de unidades por ano, com a oferta concentrada para as vendas para o Dia das Mães (segundo domingo do mês de maio) e em dezembro, justamente focado na ornamentação natalina e do Réveillon. Para as gérberas vermelhas, o potencial de mercado por ocasião do Natal é estimado em cerca de 1 milhão de hastes. No caso do amarílis, sua venda anual é da ordem de 500 mil vasos, principalmente nas cores vermelha e branca, bastante atraentes. Muitas vantagens contribuem para a crescente popularização desta espécie, especialmente a grandeza e a robustez da flor, além da durabilidade e da versatilidade da planta para a confecção dos arranjos natalinos.

No segmento dos complementos florais, as espigas branqueadas do trigo estarão em 2012 – como, aliás, sempre estiveram – entre as favoritas. Representam a abundância e a prosperidade que desejamos a todos.

Já para o Réveillon, a preferência recai sobre as flores brancas, com destaque para rosas, gladíolos (palmas-de-santa-rita), crisântemos, margaridas, lírios, áster e gypsophilla, entre outras. Parte dessa tradição foi herdada dos rituais afro-brasileiros, especialmente da Umbanda e do Candomblé, com destaque para as cerimônias de lançamento ao mar das oferendas a Iemanjá, na passagem do ano.

Na praia de Copacabana (Rio de Janeiro), desde 2003, com o crescimento do turismo, esta cerimônia – considerada a mais tradicional e notória de todas – foi transferida para o dia 29 de dezembro. Mas, no restante do Brasil, flores brancas – que simbolizam paz, pureza e harmonia e que, segundo a tradição, são as únicas aceitas pelo orixá – são lançadas para a divindade no último dia do ano. E, se na região não existe mar, os devotos logo se lembram de que os rios, lagos e cachoeiras também pertencem aos domínios de Iemanjá.

O uso de outras cores para as flores jogadas ao mar, ou às águas em geral, representa miscigenações e superposições ao ritual religioso, mas está afeto à esfera da simbologia profana, nas quais se adotam diferentes cores para os pedidos relacionados ao amor (rosa), paixão (vermelho) e prosperidade (amarelo).

Desde já, nossos mais sinceros votos de um Feliz Natal e de um próspero Ano Novo!

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