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Paisagismo e Jardinagem

Sistema Vetiver

O vetiver, uma gramínea de origem indiana, conhecido no mundo científico como Vetiveria zizanioides, tem sido utilizado para diversas finalidades, como aromatizantes, perfumes finos, planta medicinal e protetores do solo. Entretanto, o vetiver tem sido plantado nas margens de rios e lagos. O grande sucesso desse capim é na estabilização de taludes, proteção do carreamento de sedimentos para os cursos d’água e, consequentemente, proteção contra as erosões superficiais.

Desde 1931, foi observado o desenvolvimento do vetiver em Kuala Lumpur, na Malásia, com o objetivo de fazer a contenção de encostas e taludes íngremes. No Brasil, seu uso para o controle de erosão, a estabilização de encostas e a recuperação de áreas degradadas ainda é muito restrito em razão da falta de informações técnicas por profissionais da área.

Sistema Vetiver (SV) é uma tecnologia baseada na aplicação de uma planta única: a grama vetiver.

Esta tecnologia foi desenvolvida pelo Banco Mundial para a conservação do solo e da água em terras agrícolas, na Índia, na década de 1980, porém, nos últimos 20 anos, tem ampliado suas aplicações em vários campos. Os aproveitamentos mais importantes são nas áreas de proteção ambiental e bioengenharia, que exploram no vetiver extraordinários atributos morfológicas e fisiológicas, tanto para a proteção de infraestrutura, quanto para o tratamento de águas residuais e reabilitação de minas. As principais vantagens da VS são: eficácia, praticidade e baixo custo, quando colocada em comparação com métodos convencionais.

Especiais Características Morfológicas

– Nome Científico: Vetiveria zizanioides

– Nomes Populares: vetiver, capim-vetiver, capim-de-cheiro, grama-cheirosa, grama-das-índias, falso-pachuli, raiz-de-cheiro

– Família: Poaceae

– Gênero: vetiveria

Planta herbácea, perene, cespitosa (em moita), que chega a atingir cerca de 2m de altura, com raízes que podem penetrar até 3m de profundidade.

Raízes

As raízes do vetiver são extensas e profundas, crescem até 3cm por dia e atingem de 2 a 3m de profundidade no primeiro ano de plantio, e podem alcançar até 6m de extensão. As raízes não entram em dormência, mesmo em baixas temperaturas do solo (15C° de dia e 13C° de noite). Ainda nestas condições, foram registradas taxas de crescimento radicular de 1,26mm/dia.

O extenso alcance das raízes do vetiver, em profundidade, lhe confere uma surpreendente capacidade de resistência à seca prolongada e uma extraordinária capacidade de recuperação após sofrer estresses, como queimada, pastoreio intensivo, alagamentos, etc. A espécie já demonstrou uma enorme qualidade de resistência ao ataque de pragas e doenças e ao acamamento por fortes ventos.

A raiz do vetiver apresenta um poder de penetração impressionante e de tamanho vigor, que pode, inclusive, transpor camadas com impedimentos rochosos. O sistema radicular agregante de solo forma um grampeamento natural muito difícil de ser desalojado, como “grampeamento do solo”.

A excepcional capacidade na estabilização de solos pelas raízes do vetiver advém da grande densidade relativa das suas raízes (6–10 kPa/Kg por m³ de solo), volume muito superior à cobertura realizada pelas raízes das árvores (3,2–3,7 kPa/Kg por m³ de solo).

A resistência da raiz do vetiver aumenta com a redução do diâmetro, ou seja, as novas já conferem a proteção do solo. Elas apresentam força e tensão, que variam de 40–180 [Mpa]. As raízes com diâmetros de 0,2–2,2mm têm uma força de tensão média de 75 [Mpa], equivalente a 1/3 da força de tensão do aço. Caso o vetiver venha a ser enterrado, pelo deslocamento e o acúmulo de sedimentos, os seus nós emitem novas raízes, que nivelam a planta com a nova superfície do terreno.

Caules eretos e rígidos formam uma densa cobertura eficaz, que retarda o fluxo de água e sedimentos.

O sistema radicular é penetrante e extenso, o que forma uma estrutura para os solos.

O vetiver é tolerante a incêndios, a secas, a condições de solos salinos, sódicos, ácidos e se adapta a praticamente todos os outros tipos, é resistente e cresce em solos pobres e contaminados, sobrevive e se desenvolve em pHs de 3 a 12, tolera temperaturas que vão desde -10°C até 50°C, sobrevive em regimes de chuvas desde 300mm até 5000mm/ano, e ainda rebrota após queimadas, alagamentos e soterramentos.

Uso do Capim Vetiver na estabilidade de taludes e encostas.

É utilizado há mais de 3 mil anos na Índia e em grande parte da Ásia como base para perfumes e medicamentos, repelente de insetos, para possibilitar um ambiente natural e, também, para o controle de erosão em solos cultivados.

As barreiras vegetais permitem a retenção dos sedimentos transportados durante as chuvas e, com a sucessão de eventos, forma um terraço natural atrás das cortinas de capim vetiver, o que evita a degradação do solo, além de quebrar a intensidade do fluxo descendente das águas pluviais, que colaboram para o sistema de drenagem superficial e permitem um dimensionamento mais econômico e custos de manutenção anuais bem menores.

Controle da erosão

Algumas das características do vetiver fazem desta planta um excelente meio de controlar a erosão nos climas mais quentes. Ao contrário das outras ervas, ele não ganha raízes horizontais, crescem quase que exclusivamente na direção vertical para baixo.

O plantio de cordões do vetiver tem se mostrado eficiente na conservação do solo e da água em várias regiões do mundo, devido à elevada resistência ao arrancamento pelas enxurradas, característica proporcionada pelo seu extenso e resistente sistema radicular, que estabiliza a planta e agrega o solo. Em virtude de seu rápido crescimento, formam-se rapidamente densas touceiras que criam barreiras às enxurradas.

Pesquisas mostraram que esta espécie é também capaz de recuperar áreas degradadas com o aumento da agregação do solo e o consequente aumento da infiltração da água e redução das enxurradas.

Plantio

A fixação biológica de nitrogênio atmosférico e do fósforo, por meio da associação de bactérias e fungos simbióticos das raízes, permite ao vetiver vegetar em, praticamente, qualquer tipo de terreno, pois ele tolera solos de baixa fertilidade e com valores extremos de pH, salinidade e toxidez.

Clima

Extremamente rústico, o vetiver é simultaneamente hidrófilo e xerófilo, além de resistir a extremos hídricos (300–3.000 mm/ano) e também tolerar extremos térmicos (-14ºC a +55ºC).

Grupo Ecológico – Pioneira

Espaçamento

O espaçamento de plantio para a produção de mudas de vetiver é de 50cm entre plantas e entre linhas. Nas intervenções ambientais, o mais indicado, é o de sete plantas por metro linear e a distância entre linhas dependem da inclinação do talude, posicionado em linhas transversais, ou seja, no sentido horizontal de “cortar as águas”. O número e o intervalo entre as fileiras dessecapim variam conforme as características do lugar (de 0.80 – 5m entre as fileiras).

Fitorremediação de áreas contaminadas

O vetiver é uma planta xerófita e hidrófita e uma vez estabelecida na área não é afetada por secas e inundações. Suas características no tratamento de áreas contaminadas são:

– tolerância à acidez e a níveis altos de alumínio e magnésio. O crescimento e desenvolvimento do vetiver não são comprometidos em condições extrema de acidez (pH até 3) e com alta porcentagem de saturação de alumínio de 68%. Pode tolerar níveis altos de magnésio no solo, acima de 578 mg/kg;

– tolerância a altos níveis de salinidade;

– cresce em solos sódicos desde que haja disponibilidade de níveis adequados de N e P;

– tolerantes a metais pesados: As, Cd, Cr,Cu, Hg, Ni, Pb, Se e Zn.

Apenas 1% dos elementos Cd, Cr , Hg e 16% a 33% dos elementos Cu, Pb, Ni e Se são translocados para a parte aérea. O elemento Zn possui boa distribuição ao longo da planta. Essas extraordinárias características fazem o vetiver ser utilizado na reabilitação de áreas contaminadas na Austrália, no Chile, na África do Sul e na Venezuela.

Conclui-se que, o capim vetiver é uma planta chamada de milagrosa por suas inúmeras utilidades e sua grande importância em várias áreas de aplicação. Atualmente, no Brasil, o seu uso principal é na aplicação (Sistema Vetiver), em estabilização de taludes e recuperação de passivos ambientais causados por estradas. Configura-se numa importante alternativa de controle dos solos aos processos erosivos e de estabilização de taludes, com baixo custo de implantação e manutenção, alta eficiência e grande potencial de aplicação no Brasil, especialmente, em regiões de solos com textura arenosa, suscetíveis à erosão.

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67 Comments

  1. Olá me chamo Maria comprei mudas de vetuver e como estamos na lua minguante pensei em esperar até a lua nova colocando elas na água . Posso fazer isso? grata

    • Olá Maria,

      É melhor plantá-las na lua de quarto-crescente, a partir do dia 6 de julho.
      Até lá deixe as mudas em local sombreado, com as raízes levemente úmidas.

      Abraços

  2. Olá, estou buscando alternativas para cultivar Vetver para destilação de suas raízes. Gostaria de ouvir algumas sugestões.

  3. Ola preciso fazer a poda no vetiver? E depois de quanto tempo?

    • Cristiane,

      Pode fazer duas podas anuais, na lua minguante de setembro de 2022 e na lua minguante de março de 2022. Mantendo uma altura de 20 centímetros.

      Abraços

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