Sobre o Blog e Contato

Paisagismo e Jardinagem

Lagarta-das-palmeiras

As palmeiras possuem grande valor estético e comercial em praticamente todas as regiões do Brasil, sendo conhecidas aproximadamente 3.500 espécies, reunidas em 240 gêneros, dentro da família Areacaceae (Palmae). São inúmeras as pragas conhecidas, muitas delas limitantes às palmeiras, causando sérios danos ao desenvolvimento e ao visual das plantas, comprometendo a sua estética e a produtividade. Folhas, estipe (caule), raízes, pedúnculos florais, flores, frutos e sementes, são infestados por um grande número de pragas, afetando diretamente o vigor e a beleza das plantas.

Todos os Lepidoptera, ordem dos insetos que compreende as borboletas e mariposas, passam pela chamada metamorfose completa ou holometabolia em seu desenvolvimento, ou seja, as fases de ovo, larva, pupa e adulto. Os insetos holometábolos possuem a fase imatura ou fase jovem completamente diferente da fase adulta, tanto em forma, hábitos e, algumas vezes, aparelho bucal e alimentação. Todos os representantes desta ordem possuem um tipo específico de larva chamado “eruciforme”. É na fase jovem (lagarta) que o inseto alimenta-se vorazmente, armazenando reservas em forma de gordura, para que depois, quando pupa, possa obter energia suficiente para se transformar em adulto (borboleta ou mariposa). Apenas na fase de lagarta o inseto se desenvolve ou cresce. Uma vez adulto, o inseto mantém quase inalterado seu tamanho até o final da sua vida.

Descrição e biologia

A espécie Brassolis sophorae (lagarta-das-palmeiras ou lagarta-do-coqueiro) é uma das pragas mais comumente encontrada em palmeiras ornamentais, alimentícias ou de caráter industrial. O adulto é uma borboleta de tamanho médio, de hábito crepuscular, com aproximadamente 70,0 a 80,0 mm de envergadura para os machos e 90,0 a 105,0 mm de envergadura para as fêmeas. As asas anteriores e posteriores são de coloração castanha-violácea com faixas alaranjadas junto às bordas externas em sua face dorsal castanha-clara com três pequenas manchas circulares (ocelos), presentes em cada uma das asas posteriores, em sua face ventral. As manchas alaranjadas nas asas anteriores apresentam-se bifurcadas nas fêmeas no formato da letra Y e sem bifurcação nos machos. As posturas são realizadas em grupos de aproximadamente 100 ovos, depositadas nas próprias folhas. Os ovos são de aspecto cilíndrico, inicialmente branco-amarelados e, posteriormente, tornando-se rosados e cinzas quando próximo à eclosão das lagartas. As lagartas não são urticantes (não são taturanas) e nascem após um período de 20 a 25 dias e podem chegar a 80 mm de comprimento em seu último estádio de desenvolvimento. No início do desenvolvimento, possui coloração bastante vistosa, com cabeça de coloração vermelho vivo, corpo esverdeado de pilosidade clara, com listras longitudinais arroxeadas muito evidentes. Em seus últimos estádios de desenvolvimento, a cabeça passa a ser de coloração menos intensa variando de marrom-avermelhada a marrom escura com lista longitudinal avermelhada e corpo pardo-arroxeado com listras longitudinais castanhas, recobertas por fina pilosidade. Não possuem ornamentações cefálicas e apêndice bifurcado na parte final do corpo, geralmente presentes nos representantes da subfamília Brassolinae a que pertencem. As lagartas são gregárias, passam por seis estádios de desenvolvimento, com ciclo variando entre 50 a 90 dias. Vivem reunidas durante o dia em “casulos” ou “ninhos” feitos da união de folíolos e seda, servindo de abrigo contra predadores e intempéries. As lagartas abrigam-se nesses “ninhos” e os deixam no início da noite para se alimentarem das folhas da planta hospedeira. Podem também abrigar-se junto às axilas das folhas e espatas das inflorescências. Observa-se frequentemente que lagartas provenientes de posturas diferentes se agregam em “ninhos” comuns, encontrando-se 350 indivíduos ou mais de diferentes estádios em um único “ninho” (observação pessoal). Próximo à pupação, as lagartas caminham ativamente pela planta hospedeira e adjacências fixando-se pelo cremaster (extremidade posterior) e transformando-se em pupa, permanecendo por 11 a 15 dias até a emergência do adulto. O ciclo completo de ovo a adulto dá-se em torno de 80 a 125 dias.




Danos

As lagartas alimentam-se dos folíolos, desfolhando completamente a planta atacada, deixando apenas a raque das folhas. A presença de lagartas é facilmente detectada devido à presença de “ninhos”, aos danos nas folhas e ao acúmulo de fezes na forma de pelotas junto ao solo na projeção da copa da palmeira. Esteticamente, é uma das pragas de maior importância, depauperando significativamente o hospedeiro, podendo, em infestações muito severas e subsequentes, levar direta ou indiretamente à morte plantas novas e adultas. Palmeiras industriais como Cocos nucifera (coqueiro), Elaeis guineensis (dendezeiro), Phoenix dactylifera (tamareira), Attalea speciosa (babaçu) e os palmiteiros das espécies Euterpe edulis (juçara), E. oleraceae (açaizeiro), Bactris gasipaes (pupunheira) e Archontophoenix aleandrae (palmeira real australiana, seafortia), além de palmeiras ornamentais dos gêneros Livistona, Phoenix, Sabal, Syagrus, Archontophoenix, Roystonea, Raphia, Attalea, Washingtonia, Chamaedorea, Trachycarpus e Caryota entre outras, são comumente encontradas danificadas pelas lagartas de B. sophorae. Mais raramente encontramos danos em plantas do gênero Dypsis, representado principalmente pelas espécies D. lutescens (areca-bambú), D. decary (palmeira triângulo) e D. madagascariensis (areca-de-lucuba). Próximo à pupação, na fase final da lagarta, normalmente ocorrem verdadeiras invasões residenciais à procura de abrigo, sendo muito comum a visualização de pupas fixadas em paredes e tetos de casas próximas a palmeiras infestadas. Além dos problemas acarretados à planta atacada, outro problema a ser considerado é o da entomofobia causada pelas lagartas, onde o asco e o medo de se deparar com um desses insetos torna-se psicologicamente insuportável para algumas pessoas, apesar das lagartas desta espécie não serem urticantes.

Controle

O controle mecânico através da eliminação manual dos “ninhos” de lagartas em palmeiras menores e com baixa infestação normalmente é suficiente. Apesar de até o momento não existirem inseticidas químicos registrados para o controle de B. sophorae, os piretroides e neonicotinoides poderão ser utilizados, pois são bastante eficientes e de baixa toxicidade. O uso de inseticidas biológicos (agentes entomopatogênicos) em infestações mais severas é recomendado. A bactéria Bacillus thuringiensis var. kurstaki e o fungo Beauveria bassiana são eficientes e devem ser aplicados ao entardecer. As folhas devem ser molhadas abundantemente com o uso de atomizadores ou pulverizadores costais, pressurizados ou motorizados acoplados a barras extensoras. As lagartas infectadas pela ingestão do B. thuringiensis var. kurstaki, aplicado sobre as folhas, cessam a movimentação e a alimentação, adquirem coloração marrom-escura e morrem em aproximadamente 18 a 72 horas. Novas aplicações deverão ser realizadas aproximadamente a cada 15 dias. A infecção pelo fungo B. bassiana dá-se normalmente pelo contato com o tegumento. A penetração na lagarta leva cerca de 12 horas e a colonização e morte em, aproximadamente, 72 horas, em condições favoráveis de umidade (90% UR) e temperatura (23 a 28ºC), deixando-a com aspecto “mumificado”, com coloração branca levemente amarelada.

Texto de Francisco Zorzenon

  • Pesquisador Científico / Diretor Técnico da Unidade Lab de Referência em Pragas Urbanas · São Paulo

Referências

  • Alves, S.B. (coord.) Controle microbiano de insetos. Editora Manole, 1986. 407p.
  • Costa, J.M. Pragas das palmáceas. Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Leste, 409-411. 1973.
  • Ferreira, J.M.S.; Warwick, D.R.N.; Siqueira, L.A. Cultura do coqueiro no Brasil. Sergipe: EMBRAPA – SPI, 1994. 309p.
  • Gallo, D. et all. Entomologia agrícola. Piracicaba, Fealq. 2002. 920p.
  • Lepesme, P. Les insects des palmier. Paris. Paul Lechevalier, 1947. 899 p.
  • Lorenzi, H.; Souza, H. de M.; Costa, J.T. de M.; Cerqueira, L.S.; Ferreira, E. Palmeiras brasileiras e exóticas cultivadas. Inst. Plantarum, Nova Odessa, 2004. 432p.
  • Zorzenon, F.J. Principais pragas das palmeiras In: Alexandre, M.A.V; Duarte, L.M.L.; Campos-Farinha, A.E. de C. Plantas ornamentais: doenças e pragas, Cap. 10 p. 207-247, 2008.

Blog de paisagismo orientado ao aperfeiçoamento profissional, acadêmico e pessoal de paisagistas, jardineiros, arquitetos, agrônomos, biólogos e afins.

Comente ou pergunte

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Aviso! Está a tentar enviar uma imagem inválida. A imagem não vai aparecer com o seu comentário.

95 Comments

  1. Boa tarde gostaria de saber se realmente a palmeiras vestichia não da esses madruvas horrível tenho pavor não vejo nem as fotos deles de tanto medo que tenho

  2. Bom dia a palmeira vestichia das essas mesma largatas de coqueiros pêlo amor de Deus me responde com sinceridade porque tenho pânico desse bicho e me disseram que esta palmeira não da mais estou na dúvida porque tudo pode ser porque ele quer me vender

    • Boa tarde Viviana,

      De qualquer modo pulverizações preventivas com Dimypel afastam essas lagartas.

      Abraços

      • Muito obrigado meu amigo por me responde mais não entendi sua resposta? Vc quiz dizer sim que da da estas largatas😭

        • Sim Viviana,

          Ocasionalmente as lagartas podem aparecer na palmeira-veitchia (Veitchia merrillii) e elas são combatidas com pulverizações de Dimypel.

          Este inseticida orgânico as combate.

          Abraços

  3. olá, tenho um pé de coquinho butiá e essas lagartas já comeram todas as folhas, estão só a folha do ninho que agora dá pra ver, será que elas vão tentar se abrigar na minha casa que é do lado da planta? elas morrerão de fome por falta de folhas, minha vizinha também tem um butiazeiro bem ao lado deste elas vão se multiplicar demais?

    • Olá Stella Maris,

      Para acabar com essas lagartas faça três pulverizações, semanais, com Dimypel ou com Agree, inseticidas biológicos a base de Bacillus thuringiensis.

      Abraços

  4. Oi boa tarde como posso eliminar essas lavargartas

  5. Como eliminar

    • Oi Alice,

      Pode elimina-lhas usando o Dimypel ou o Agree ou o Diplomata da Koppert, inseticidas biológicos a base de Bacillus thuringiensis. Eles não afetam o meio ambiente.

      Abraços

  6. Essa da cabeca preta corpo marron amarelo preto,não sei bem que cor é direito.

  7. Na minha casa esta aparecendo muito dessas largatas tenho medo porque tenho uma criança de 2 anos em casa,dentro de casa n tenho plantas e ja é a 5° qie aparece.Queria saber se ela é prejudicial a saúde de tenho q tomar precauções,e o que posso fazer para acabar com elas.
    Obrigada

    • É essa a largata que esta aparecendo na minha casa.

      • Naira,

        Essa lagarta pode ser urticante. Para combate-la use o Dimypel, ele é específico para esse fim.

        Abraços

  8. Essas lagartas entram em casa tenho pavor o que fazer paraelas não entrar na vejo sempre mas me deparei cm uma nas calçada?ela costumam aaparecer quando no verao

    • Tânia,

      Não é muito normal elas entrarem nas residencias, já que nelas não há alimentos para as lagartas.

      De qualquer forma não há do que se preocupar.

      Abraços

  9. Boa noite! Deveras interessante como uma pessoa como o senhor, responde atentamente às indagações de tantas pessoas. Bem, também tenho a minha, que são minha palmeiras imperiais, que contam com aproximadamente 18 metros. com esta altura, não há como derrubar folhas ou lançar qualquer tipo de veneno. Já tive experiência ruim no passado, quando me ensinaram a colocar “Furadam” sobre as raízes. Resultado, as lagartas nem sequer evoluiam e já caiam mortas. O grande problema -que eu somente atentei, após o desaparecimento dos pássaros que comem o fruta da palmeira- e que o veneno também vai para os coquinhos, que quando estão pretos, atraem os sábias laranjeira (tenho cinco ninhos na casa), joão de barro, maritacas, meus cães e sanhaços. Resultado: nunca mais usei tal veneno. Mas será que não existe um veneno que possa ser aplicado tal o Furadam? e que não faça mal ao meus queridos pássaros? Espero que o senhor me dê uma solução plausível. Meu muito obrigado!.

    • Boa tarde Severo,

      Agradeço seus comentários!

      Então, em palmeiras com essa altura é difícil o combate às lagartas. O Furadan é bastante tóxico e é sistémico, o que facilita sua aplicação, mas eu não recomendo por causa da seus nefastos resultados ao Meio Ambiente.

      O Dimypel é um inseticida biológico para controle de lagartas que atacam as palmeiras, porém deve ser pulverizado na coroa foliar para ter sua ação realizada.

      Não conheço outros procedimentos que, realmente, sejam eficazes.

      Abraços

  10. A lagarta das palmeiras e prejudicial ao ser humano?

    • Margarida,

      A lagarta referida, não é urticante nem venenosa. Todavia lhe recomendo distancia dela, mesmo por quê algumas chamadas de taturanas tem espinhos que soltam substancias tóxicas, produzindo dores latejantes ou inchaços, náuseas e as vezes erupções. Algumas lagartas podem causar asma, hemorragia e problemas renais.
      Com a taturana ou mandrová, deve-se ter um cuidado especial, já que é mais comum e muito atrativa por seu aspecto. As crianças precisam ser alertadas para evitar qualquer contato.
      Entretanto as precauções com elas não devem ser transformadas em fobias. Lembre que as borboletas foram antes essas lagartas que as vezes metem medo.

      Abraços

  11. Parabens pelo trabalho. “Lagarta entra no corpo da gente”? responder perguntas assim deve ser pura diversão !!!! rsrsrrs Abço.

  12. Boa Noite amigo, primeiramente parabens pelo belo trabalho, como se sente respondendo perguntas tipo: ” Lagarta entra no corpo da gente?”

    • Obrigado Eduardo,

      Respondo todas as questões com a mesma dedicação, embora algumas perguntas sejam um tanto primárias.

      Abraços

  13. Prezado, boa tarde, usei fumo no combate a larga na foto anexa. Esta se encontra na junção do caule e o tronco do coqueiro.

    • Oi Róbson,

      Prefira o Dimypel, é um produto específico para combater a lagarta do coqueiro.

      Abraços

  14. Olá. Temos um site para divulgação de técnicas alternativas para cultivo sustentável de alimentos e gostaríamos de pedir permissão de uso das imagens do seu site, em especial as da Lagarta-das-palmeiras Brassolis sophorae. Se permitido, nos passe o nome do autor para que seja dada a devida referência de autoria da mesma.

    • Olá Juliane,

      O nome do autor é Francisco Zorzenon, pesquisador científico / Diretor Técnico da Unidade Lab de Referência em Pragas Urbanas do Instituto Biológico de São Paulo.

      Abraços

  15. Olá, meu cachorrinho comeu uma lagarta dessa e ficou muito ruim, não achei nada sobre o assunto. Queria saber se ela é toxica ou é venenosa? Obrigada

    • Olá Daniele,

      Não, ela não é tóxica para seu cachorrinho, na mesma proporção a quantidade de ferro da carne é de 6 mg a cada 100 gramas de peso seco, as lagartas possuem até 30 mg de ferro a cada 100 gramas.

      Elas também proporcionam fósforo, potássio, cálcio, sódio, magnésio, zinco, manganês e cobre, de acordo com a FAO.

      Abraços

  16. Por favor, me oriente em como combater a lagarta das palmeiras. Tenho 6 no jardim do condomínio e elas estão infestadas. Durante o dia podemos ver as lagartas (marrons) circulando pelo condomínio.As folhas estão todas comidas por elas.
    O grande problema é que são altas e o jardineiro disse não alcançar com escada.
    Como vou resolver esse problema?
    Será que terei de pedir autorização da prefeitura para poder acabar com as palmeiras?

    • Vania,

      A lagarta-das-palmeiras alimenta-se dos folíolos e, quando não
      controlada, ataca podendo destruir a copa por completo, incluindo o broto apical, que é a parte mais tenra da palmeira.

      Produzem uma sensação de queimadura quando em contato
      com a pele.

      A calda de fumo, o inseticida rural Natural Camp ou o
      Combat (composto por Neem, citronela e pimenta), as controlam. Também pulverizações com Dimypel ou Agree, inseticidas biológicos a base de Bacillus thuringiensis, dão excelentes resultados.

      Abraços