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Paisagismo e Jardinagem

O abandono de egos confusos

Nossa imaginação, através daquilo que contemplamos, organiza uma forma de comportamento.

Nem sempre de modo consciente interpretamos a realidade que nos cerca. Às vezes, instintivamente, alimentamos impulsos que formam nosso caráter. Prazeres, frustrações, risos e angústias se acumulam edificando nossa maneira de ser. Inconscientemente nos preservamos para que nada de mal nos aconteça, rodeando-nos de cuidados que nem sempre são efetivamente eficazes e que levam a distanciar-nos da absoluta simplicidade de amar. Defendendo nossas vontades, nossa personalidade de modo desproporcionado, ficamos longe de nos harmonizar com o contorno real que a vida nos oferece.

Alimentado por sentimentos que trazem lembranças turvas, nosso ego machucado tende a não abrir-se à ideia da felicidade plena. Vejo que as pessoas se cercam de cuidados excessivos sob o pretexto de resguardar seus “eus” vacilantes e, muitas vezes, por demais medrosos, isolando-os de coisas simples, como um abraço sincero e amoroso. Percebeu como cada vez é mais frequente o plantio de mudas com espinhos em volta das casas? Sim, são as coroas-de-cristo e, também, as espadas-de-são-jorge, as comigo-ninguém-pode, as arrudas e outras que, em teoria, impediriam que a maldade penetrasse em nossas vidas. Será? Certamente nem a maldade nem ninguém se atreveria a atravessar essas cercas, que de por si só rejeitam aproximações, impedindo que desfrutemos, quem sabe, de algo que pode nos beneficiar. O capeta vai fugir, mas o príncipe encantado montado no seu cavalo branco tampouco vai se atrever a tocar a campainha de seu coração.

Penso que o ideal é cercar-nos de flores e perfumes para atrair o que há de bom por aí. Abrir a possibilidade de encontros com o destino que merecemos e que deverá ser benévolo porque somos dignos disso. Usar um jasmim é mostrar coragem, a coragem da boa-fé dos que possuem méritos sinceros e não temem a invasão de diabos ou de maldades. Quem se atreveria a invadir um “Paraíso” construído com as cores genuínas de um manacá-da-serra? Que indivíduo malicioso ficaria atraído por um bando de pássaros trinando nessa árvore?

Pois é, livre-se das armaduras incômodas e pesadas que impedem seus movimentos e sua liberdade de se dar por inteiro. Cultivando flores e esbanjando perfumes pode esperar pelos frutos… que serão doces, dependendo de sua habilidade de jardineiro.

Raul Cânovas nasceu em 1945. Argentino, paisagista, escritor, professor e palestrante. Com 50 anos de experiência no mercado de paisagismo, Cânovas é um profissional experiente e competente na arte de impactar, tocar, cativar e despertar sentimentos nos mais diversos públicos.

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4 Comments

  1. Maravilhoso sempre esses teus têxtos! Lamento ñ poder participar de tuas palestras e encontros. Acho q Porto Alegre ñ está mais nos teus roteiros … Um grande abraço, amigo!

    • Querida Kenia,

      Porto Alegre está tão arraigada em mim como a cuia está com a erva mate. Com a gauchada me sinto em casa e sempre estou disposto a aceitar convites para cursos ou palestras.
      Em setembro estarei em Curitiba e em novembro em Cascavel e Joinville (pertinho) quem sabe possa dar uma esticada para um churrasco e umas graspas!

      Um abraço grande

  2. Excelente, Raul!
    Sua capacidade de escrever sobre o belo e a dor é maravilhosa!

    • Oh! Maria Teresa,

      Agora você me deixou sem palavras. Obrigado minha querida!