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Paisagismo e Jardinagem

Agentes de mudança

O trabalho dos catadores de materiais recicláveis deve ser amplamente reconhecido

O nosso modo de construir o mundo, centrado no homem e com ações tão intensas sobre a natureza, deixa suas marcas. Algumas muito visíveis, como as edificações de uma cidade, que merecem novos conceitos visando à sustentabilidade do planeta. Outras, queremos invisíveis, como os resíduos gerados nas diversas atividades humanas, comumente chamado de lixo. Não só não aceitamos o contato com estes restos, como também, historicamente, delegamos aos membros menos favorecidos da sociedade a tarefa de retirá-los de nosso convívio. Estas camadas da população, em grande parte, retiram os recursos para sua subsistência das externalidades do consumo humano.

Os catadores de materiais recicláveis devem ser agentes ativos em discussões de políticas municipais e devemos investir na força coletiva, por meio de cooperativas ou associações.

Os catadores de materiais recicláveis devem ser agentes ativos em discussões de políticas municipais e devemos investir na força coletiva, por meio de cooperativas ou associações.

Estes excluídos, por seus esforços e mobilização, vêm resgatando sua cidadania e demonstrando a viabilidade e importância desta atividade. Se esta situação ainda é diversa pelo país, cabe à sociedade e ao Poder Público prover esta categoria de condições e reconhecimento pelo importante serviço prestado, a ser exercido de forma digna e justamente remunerado.

Considerando que o nosso lixo apresenta um percentual de 30% a 40% de materiais recicláveis na sua composição, as iniciativas de valorização desses materiais podem contribuir para a viabilidade de mais sistemas de gestão de resíduos sólidos urbanos com disposição final adequada, uma vez que seus custos são função direta do volume de lixo gerado. Mais do que isto, as infraestruturas de aterros sanitários existentes poderão servir a vários municípios por mais tempo se a coleta seletiva redirecionar esses resíduos para a reciclagem, ao invés de aterrá-los. Sabemos que tivemos avanços em nossa cidade na gestão do prefeito Gabriel Ferrato e que o novo prefeito, Barjas Negri, tem propostas em seu Plano de Governo.

A meta prevista na Lei Nacional de Resíduos Sólidos de cessar a disposição em lixões em 2014 foi um desafio não alcançado pela maioria dos municípios brasileiros, porém coloca um rumo e nomina aqueles que ainda não se adequaram à nova legislação.

O relatório “Towards a Green Economy: Pathways to Sustainable Development and Poverty Eradication” (Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza) os reconhece como (UNEP, 2011):

“A força de trabalho que sustenta o setor de reciclagem contribui significativamente para a resolução de uma ou mais questões ambientais globais (por exemplo, mitigação ou prevenção da poluição). Estes trabalhadores, sejam eles formalmente empregados ou autônomos, devem ser considerados como uma categoria de’agentes de mudança’ que as políticas ambientais e econômicas devem invocar. O alto valor da sua contribuição para as políticas climáticas e sociais de valor agregado deve ser ampla e mais claramente reconhecida.”

Nota: Texto retirado da publicação: ” Bolsa Reciclagem e pagamentos por serviços ambientais em área urbana: a participação dos catadores de materiais recicláveis na política ambiental mineira e brasileira”

Ribeiro, J. C. J. 1 e Magrinelidos Reis, A. 2

Formada em Engenharia agronômica, pela Escola de Agricultura Luiz de Queiroz – ESALQ-USP e em Direito, pela Instituição Toledo de Ensino. Tem pós graduação em Gestão Ambiental, pela ESALQ-USP e em Técnicas de Treinamento em Engenharia Agrícola, pela Sociedade Agrícola Alemã. Desenvolve projetos de paisagismo, tendo experiência como proprietária da empresa Estado de Sítio Paisagismo, como professora universitária da disciplina e na direção de Horto Florestal , além de atividades de extensão na área ambiental e como colunista do tema.

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