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Paisagismo e Jardinagem

Plantas PANCs

São aquelas que nos alimentam, mas não são encontradas nas gôndolas dos supermercados

taioba (Xanthosoma sagittifolium)

Foram Harri Lorenzi e Valdely Kinupp os que criaram este neologismo no livro Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil (editora Plantarum), em 2014. Segundo eles folhas, sementes, raízes ou flores podem surgir nos nossos pratos para serem consumidos, e com muito deleite e entusiasmo. A taioba (Xanthosoma sagittifolium) é um exemplo, ela pode ser consumida picada e refogada, como uma couve, outra é o lírio-do-brejo (Hedychium coronarium) que além de suas propriedades cardiotônicas fornece flores perfumadas que podem ser aproveitadas no preparo de saladas, suas raízes consistentes lembram um pouco o gengibre e as folhas podem enrolar as carnes que assam nas brasas. As folhas prateadas e peludas da orelha-de-coelho (Stachys byzantina) tem um sabor parecido com o do peixe e são comidas empanadas na farinha, ovos, fermento e maisena; com um pouco de água e sal são fritadas, resultando um bom acompanhamento para um chopinho.

lírio-do-brejo (Hedychium coronarium)

Mas as PANCs não se resumem a essas três. Há uma infinidade delas crescendo nos terrenos baldios, nas lajes, nas trincas das velhas construções e, claro, nos jardins onde se juntam com as chamadas plantas ornamentais. Por quê plantas ornamentais? Bom, talvez este seja um dos tantos vícios paisagísticos que nos afetam há séculos e que chegou o momento de questionar esse termo, já que acho que tudo pode ser ornamental, dependendo do ponto de vista do observador. Uma palmeira imperial (Roystonea oleracea) pode ser tão decorativa quanto um buriti (Mauritia flexuosa) e um ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata, que também é comestível) luze de modo formidável, igual a uma azaleia.

orelha-de-coelho (Stachys byzantina)

Por isso não duvide ao projetar um jardim, use batata doce, beldroega, dente-de-leão, serralha, erva cidreira, boldo, capim-limão e tantas outras que foram sempre desprezadas pelos paisagistas nas décadas passadas e que atualmente ganham um prestigio muito merecido, graças a seus sabores…e, quem sabe, também a seus dotes de perfeitas lindezas.

 

Raul Cânovas nasceu em 1945. Argentino, paisagista, escritor, professor e palestrante. Com 50 anos de experiência no mercado de paisagismo, Cânovas é um profissional experiente e competente na arte de impactar, tocar, cativar e despertar sentimentos nos mais diversos públicos.

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