Calamidade em Bento Robrigues
Escrever é para mim um prazer. E quando faço isto abordando a natureza o entusiasmo é redobrado mas, confesso que é duro fazer um texto sobre tragédias que envolvem vidas humanas, as vidas de animais e dos seres vegetais que tombaram nessa região mineira.

Conheci esse lugar pacato e cheio de histórias, saboreei as comidinhas feitas em fogão de lenha, ouvi “causos” e contemplei sua paisagem composta pelos ipês amarelos, os araçás, os angicos, as vezes com alguma guariroba salpicando o cenário de capins baixos e de bromélias. Coisas do Cerrado, laços de um passado que o progresso questiona de modo inexorável impondo barragens, terraplanando campos e cavoucando suas argilas arcaicas.
Vivemos uma fase onde lamas nos assolam, mas esta foi palpável, concreta, numa avalanche que destruiu a história de um lugar tranquilo onde a água limpa de um rio espelhava a copa de uma imensa gameleira. Uma gameleira que não existe mais.







