Nossa Vitória Régia
As enormes folhas circulares da planta chegam a alcançar 2,5 metros de diâmetro
Escrevemos alguns artigos sobre o Jardim Botânico de Kew, onde, como em muitos outros jardins botânicos espalhados pelo mundo, a vitória-régia está presente com exuberância, atraindo olhares de encantamento dos visitantes.

Esta é uma das maiores plantas aquáticas do mundo. Pertence à família Nymphaeceae e é nativa da região amazônica. Os povos indígenas locais conhecem-na pelos nomes de Uapé, Iapucacaa, Aguapé-assu, Jaçanã ou Nampé. Os índios guaranis ainda a chamam de Irupé. Seu nome mais popular, porém, surge a partir da iniciativa de um pesquisador inglês que levou as sementes para serem plantadas, nos jardins do palácio real em Londres. Lá, a planta recebeu o nome de Vitória, em homenagem à famosa rainha do fim do século XIX. Esta história, como muitas outras, remete-nos ao tema “biopirataria”, que vale um artigo.
As enormes folhas circulares da vitória-régia chegam a alcançar 2,5 metros de diâmetro, com bordas de até 10 cm. Estas folhas revelam uma face inferior espinhenta e avermelhada, com notável capacidade de flutuação, devido a uma rede de grossas nervuras e compartimentos de ar. A superfície da folha apresenta uma intrincada rede de canais para o escoam mento da água, o que também auxilia na sua capacidade de flutuar, até mesmo sob chuvas fortes.

Suas flores brotam nos meses de janeiro e fevereiro e duram apenas 48 horas, abrindo somente à noite e apresentando cores brancas no primeiro e rosadas no segundo dia, após polinização. Elas expelem uma divina fragrância noturna, e são chamadas pelos europeus de “rosas lacustres”. Suas pétalas podem atingir até trinta centímetros de diâmetro e, no meio delas, encontra-se um botão circular onde estão localizadas sementes em grande quantidade, as quais irão se depositar no fundo das águas, a cada mês de agosto.
Na medida em que recebem a ação dos raios solares, elas se enterram no lodo e endurecem. Tais sementes constituem uma fonte de alimento para os índios e também para as aves da região amazônica. Estas últimas, aliás, são responsáveis por espalhar as sementes da vitória-régia, perpetuando assim sua existência.
Hoje existe o controle por novas tecnologias (adubação e hormônios) em que é possível controlar o tamanho dos pratos da vitória-régia e, com isso, é muito usada no paisagismo urbano, tanto em grandes lagos, quanto em pequenos espelhos d’água.







