Perdi o trem do chá
A tília (Tilia sp.) é uma árvore frondosa, com folhagem muito densa que proporciona uma deliciosa sombra em dias de mais de 30ºC como os que têm feito por aqui ultimamente. Estar debaixo dela é garantia de fugir do sol no verão e de ter seu calor no inverno, pois é caduca.


Quando jovem, tem forma um tanto cônica, logo se torna mais globular. Se a deixamos crescer naturalmente, terá tronco vestido, com muitos rebrotes em sua base. Quando usada em calçadas, convém limpar o tronco e evitar o “matagal”. Seu tronco é escuro e rugoso; os galhos jovens, castanhos e as gemas de crescimento possuem um tom marrom-avermelhado.
Da família das malváceas, anteriormente classificadas em sua própria família, as tiliáceas, é uma planta medicinal com óleos essenciais de propriedades calmantes, utilizada desde tempos remotos como remédio caseiro. É nativa da Europa, Ásia e parte da América do Norte. Foi trazida pelos europeus e hoje um híbrido (Tilia x moltkei) pode ser visto em calçadas e parques públicos argentinos.
Em Berlim há um bulevar que leva o nome de Unter den Linden (debaixo das tílias), o mais tradicional e conhecido da cidade. Desde que surgiu e até a Segunda Guerra Mundial foi o centro neurálgico da vida cultural berlinense e ponto de encontro de muitos cidadãos. As árvores originais não existem mais, em parte foram retiradas para a construção da S-Bahn (um trem do sistema de transporte público) ou então queimaram durante a guerra. Os exemplares de hoje foram plantados em 1950.

O bulevar Unter den Linden no outono
Florescem na primavera avançada, perto do verão, e momento enchem as ruas com seu adocicado perfume que me seduz e provoca que automaticamente comece a procurar a árvore fonte, tarefa que nem sempre consigo cumprir, já que seu perfume viaja longe no ar, levado pela brisa.

As flores estão protegidas por brácteas (folhas modificadas) que logo ajudarão na dispersão de suas sementes pelo vento
Ano passado fiz uma pequena colheita e provei o chá, que na verdade foi recusado pelo meu paladar acostumado aos chás industrializados. Como há algumas árvores perto de casa com galhos acessíveis sem uso de escadas, decidi fazer uma nova colheita para ter chá o ano todo. Mas perdi o trem… Nessas de “hoje não dá, amanhã faço isso” as flores foram polinizadas e o processo de frutificação iniciado. Fiquei na vontade da colheita, de secar as flores e ter chá o ano todo. Mas nada como continuar tentando, certo? Certo! Quem sabe ano que vem…

As folhas da tília possuem base assimétrica, bordas dentadas e nervuras mais claras e bem definidas.
Para ter em conta:
- A Tilia prefere solos soltos, úmidos, profundos e bem drenados;
- Prefere pH moderadamente ácido até um pouco alcalino;
- Não resiste a inundações
- Prefere o sol direto ou a media sombra (quando mais jovem)
- Possui um sistema radicular importante que, em solos pouco profundos, se desenvolve superficialmente podendo danificar calçadas e construções próximas;
- Sua madeira é apropriada para fazer móveis e artesanatos, mas não é explorada dessa forma na Argentina
- Pode ser reproduzida pelos rebrotes de sua base, que devem ser extraídos no inverno, ou por galhos
- A medicina popular diz que basta dormir à sombra de uma tília em flor para acalmar os nervos
- Altura estimada: 20m; diâmetro de copa: 25m.
Foto do bulevar Unter den Linden: By Jess & Peter from Geneva, Switzerland (Flickr) [CC-BY-2.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/2.0)], via Wikimedia Commons.







