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Paisagismo e Jardinagem

Praia como um Mestre na Ecologia e Jardinagem

Chegando o verão, pode parecer óbvio que tirar férias na praia é uma das melhores coisas a se fazer no mundo, especialmente para as crianças. Justamente à beira mar de uma praia de imensurável beleza (Praia do Rosa – SC). Gabriela, minha esposa, perguntou desde quando eu desenvolvi minha consciência ecológica. Refleti que, além da influência da minha família materna (Marx) na jardinagem, do grande jardim onde me criei em Porto Alegre, foram as idas anuais (desde os 12 anos) as praias de Santa Catarina que despertaram ou consolidaram meu pensar ecológico.

Tive influência de padrasto japonês (Takane), tios espanhol (Javier) e chileno (Fernando), que sempre que podiam, vinham confraternizar nas praias Catarinenses nos anos 70, 80 e 90. Belas paisagens, com enseadas, pescadores e agricultores. Eles enalteciam as belezas daqueles locais e como tinham sua cultura formatada pelo mar em seus países abaixo apreciavam muito os frutos do mar, ampliando bastante nosso cardápio.

A Praia sempre aguçou as percepções e sentidos, principalmente para alguém de criação ‘urbanóide’ como eu. Agora, anos depois, tento racionalizar esta questão, enumerando as qualidades de estar próximo do mar:

  1. Ter horários livres , não regulados por compromissos de horários exatos.
  2. Alimentação, variação de aromas
  3. Liberdade e imensidão
  4. Conexão – Assim como na jardinagem, ficamos mais em contato com os 4 elementos: Terra (areia), Água (mar), Ar (ventos) e Fogo (sol), longe de muitas tecnologias e preocupações modernas que nos afastam da natureza.
  5. Relaxamento e descanso
  6. Exercício físico prazeroso
  7. Pé no chão (areia), liberdade de roupas (calor)
  8. Autoconhecimento

Talvez por isso, sem nenhuma culpa, já fiz meus filhos faltarem aulas por 2 ou 3 dias para viajarem comigo à praia, evitando muitas vezes períodos de férias e feriadões, onde o prazer pode ser sufocado por aglomerações excessivas. Não prive você e seus filhos deste prazer e profundo aprendizado. Dê o tempo para fugir do cotidiano, aguçando a percepção deste ambiente especial, claro que não é para ficar só “batendo cabeça” dentro de carro, shoppings, e danceterias no veraneio. Bom proveito!

Mas para finalizar e dar uma opinião crítica em termos de jardins e paisagismo, faço constatação que estas percepções e conexões com o ambiente natural da praia, atualmente não se traduzem em jardins ecológicos no litoral. Maioria dos existentes não usam as plantas nativas de cada local, onde o indianismo cultural é realmente muito forte, repetindo-se as mesmas plantas exóticas no Nordeste como no Sul do Brasil, independente se o jardim é feito por paisagistas ou leigos. Urge valorizarmos estes ecossistemas litorâneos, onde ainda temos áreas selvagens, que cada vez são mais exceções.

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One Comment

  1. Toni,

    Muito bom seu artigo! Meus pais, também sem nenhuma culpa, me fizeram faltar aula para estar junto ao mar e agradeço muito por eles me proporcionarem isto.
    Como moradora da praia concordo em gênero, número e grau com as qualidades de se estar junto ao mar.
    Aqui na região de Garopaba e Florianópolis, os jardins das comunidades tradicionais são os que melhor representam a diversidade de plantas nativas do ecossistema litorâneo, além de plantas alimentícias e medicinais. Ao valorizar e se inspirar nos jardins destas pessoas, que historicamente vivem no litoral, estamos incentivando a diversidade biológica e cultural da paisagem litorânea.
    Recomendo visitar estes jardins, conversar com seus mantenedores para conhecermos a história do local e das plantas que estão ali, e porque não, pedir alguma muda ou semente?
    Desejo a todos uma forte conexão com a Natureza do mar, da praia e das pessoas.

    Abraço, Mariane Elis Beretta.
    mariane.beretta@gmail.com