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Paisagismo e Jardinagem

O portenho bairro Puerto Madero

Puerto Madero é um bairro relativamente novo e muito moderno, mesmo tendo nascido em 1882 como projeto para o novo porto de Buenos Aires. Fruto da necessidade de aproximar as embarcações à costa (originalmente de águas pouco profundas e amplas) e da especulação imobiliária, parte do Rio da Prata foi aterrada com escombros e terra, criando uma ilha unida à cidade por diques e pontes.

O projeto de Eduardo Madero para o porto teve vida curta. Seus diques, com abertura a favor da correnteza eram constantemente assoreados pelo Rio da Prata e dragar para permitir que as embarcações não tocassem fundo era de alto custo. Uns dez anos depois de terminado, o Porto Madeiro já estava completamente obsoleto. O governo teve que encarar a construção do chamado Porto Novo, projeto do Engenheiro Huergo.

Enquanto isso, a área de Porto Madero ficou abandonada por muitos anos por causa das inúmeras crises econômicas. Tanto tempo que a natureza seguiu seu caminho e povoou parte da costa, área onde hoje existe a “Reserva Ecológica Costanera Sur”. Tanto tempo que houve problemas de infestação de roedores, que adoraram povoar os antigos silos onde armazenavam as colheitas de grãos do país.

Mas, sua localização vizinha ao centro da cidade, sua grande extensão e a vista ao rio nunca passaram despercebidos e, assim que surgiu a oportunidade, o bairro foi reformado, embelezado, penteado, perfumado e apresentado à sociedade num baile de quinze anos (ou algo parecido). Hoje é o distrito mais caro e exclusivo de Buenos Aires, valendo o metro quadrado em média USD 3.500,- e chegando a USD 8.000,- em algumas torres muito exclusivas.

Legenda da foto 4813: Morar em um prédio não me atrai. Mas com esse amplo espaço livre, essa ventilação, essa vista e o verde público bem cuidado ao meu dispor eu até pensaria no assunto…

Conforme escreve o jornal La Nación em julho de 2013, quem tem a possibilidade de morar em Puerto Madero geralmente escolhe esse bairro por sua segurança e por suas áreas verdes. E é delas que quero falar.

O bairro termina na avenida que costeia o rio, onde se localiza o antigo balneário com suas escadarias que hoje não fazem sentido na paisagem (atualmente reserva ecológica), a controversa escultura “Las Nereidas” de Lola Mora, a antiga cervejaria Munich (hoje administração de museus da cidade).

Interessante observar como a vegetação notadamente delimita ambientes: na divisão política da cidade verificaremos que a Reserva não é da jurisdição do bairro Puerto Madero. Apesar do acesso se dar única e exclusivamente passando por ele. As árvores mais antigas estão justamente nesse limite. Ao visitar o lugar podemos até não processar e analisar essa diferença, mas certamente a percebemos. Muda tudo: a luminosidade, o impacto do porte das árvores, o som do vento em suas folhas. O cheiro.

Na avenida que estabelece o limite veremos muitos Plátanos (Platanus acerifolia), enquanto na parte mais moderna as árvores das calçadas são de crescimento mais rápido, como os álamos ou choupos (Populus nigra) e os álamos brancos piramidais (Populus alba var. pyramidalis). E mesmo o solado é outro. Reparem no uso de tijolo no caminho que acompanha a avenida, enquanto nas fotos da parte moderna as calçadas são de cimento penteado.

Respeitando o limite do bairro e a arquitetura lá existente que se incorpora à paisagem a ser desenvolvida e com a premissa de renovar, reviver e modernizar um espaço de alto valor imobiliário, arquitetos, urbanistas e paisagistas conseguiram criar projetos e desenhos com linhas e objetos urbanos modernos, que souberam integrar ao que já existia.

Deixo vocês com algumas imagens de outros ângulos desse bairro. Espero que fiquem com vontade de conhecer e de explorar. Convido vocês a explorar os links dos mapas que deixo abaixo. Em breve volto com algo mais sobre esse bairro tão na moda e que os turistas acham que conhecem, mas que realmente não exploram.

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