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Paisagismo e Jardinagem

A água também mata a sede da alma

É interessante comprovar que o homem procurou sempre a água como elemento fundamental para o desenvolvimento de sua cultura.

Ninféia-azul

A civilização egípcia, por exemplo, começou muito antes do período faraônico. Há 120.000 anos, povos do período paleolítico agruparam-se ao longo do Rio Nilo em busca de um clima e de um terreno mais propício para cultivar os alimentos necessários para sua sobrevivência. Obviamente, uma vez conquistado esse objetivo, a água, que era canalizada dessa imensa bacia hidrográfica, destinava-se aos jardins, desempenhando um papel refrescante. Retângulos e quadrados formavam espelhos d’água que aumentavam a umidade do ar, permitindo que tamareiras, figueiras, videiras, romãzeiras e muitas outras plantas se favorecessem. Isto começou a ser feito pelos paisagistas do Faraó Seneferu (ou Snefru), pai de Quéops, 2.600 anos a.C. que construíram até um lago enorme para que ele pudesse navegar em barcos a remo, sem uso de velas e com remadoras vestidas com roupas sensuais. Os faraós, que lhe sucederam posteriormente, continuaram a usar a água nos jardins onde criavam patos, gansos e carpas, além das famosas ninféias brancas e azuis.

Os Sumérios, primeiros habitantes da Mesopotâmia que, literalmente, quer dizer “terra entre dois rios”, lutaram por séculos para dominar os rios Tigre e Eufrates que formavam um vale imenso, sempre sujeito a inundações. Nesse mesmo vale, os babilônios construiram a cidade sobre o rio Eufrates, separada igualmente ao longo das margens esquerda e direita, com encostas íngremes que serviam para conter as cheias sazonais do rio. Lá, os Jardins Suspensos da Babilônia foram considerados uma das sete maravilhas do mundo antigo. E possivelmente é uma das maravilhas da qual menos conhecimento histórico se tem, apesar de todas as pesquisas arqueologicas feitas até o momento. No entanto, sabe-se que a água era um fator primordial para manter os terraços arborizados, apoiados em colunas de 25 a 100 metros de altura e era o sistema de bombeamento descoberto pelos arqueólogos em um dos poços.

Rio Yang-Tzé

Na China, os primeiros humanos com capacidade de raciocínio se convenceram de que o Delta do Yangtzé, também conhecido como Rio Azul, era o local ideal para colonizar, e durante milhares de anos usaram suas águas para a irrigação, o transporte fluvial, as guerras e, atualmente, para a indústria e o saneamento básico da população. Mas foi também graças à ele que, na cidade de Suzhou, se construíram belíssimos jardins junto aos canais que a cortam, dando-lhe o apelido de “Veneza chinesa”.

O vale do Indo e o vale do Ganges permitiam os recursos para que, em 2.500 a.C. se estabelecessem os primeiros povoados no norte da Índia. As vilas floresceram graças às águas vindas do Himalaia, passando por densos bosques de coníferas, permitindo a edificação de casas com dois e três andares onde não faltava a água para as necesidades do povo.

Tudo isto não foi mera casualidade. A sobrevivência dependia da água doce e não apenas para escapar das misérias materiais, mas porque eles sentiam algo assim como um encantamento, um fascínio pelas águas. Este foi um dos motivos que levaram os primeiros jardineiros a idealizar, nos seus projetos, algo que pudesse conter um pouco de água para refrescar o espírito.

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