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Paisagismo e Jardinagem

A morte dos Ficus Benjamina

Não deu outra, a mesma praga que os está dizimando nos alerta sobre a sustentabilidade.

Ficus benjamina sendo cortado em Diadema-SP

Por que usam espécies exóticas no lugar onde deveriam crescer essências nativas? Meu questionamento está apoiado em premissas que me conduzem a uma lógica incontestável, se não vejam: recentemente pesquisadores do Instituto de Botânica da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP), afirmaram que há 589 espécies nativas de porte arbóreo, catalogadas e que podem chegar até 3.000 as árvores paulistas. Obviamente entre elas devem existir centenas com virtudes estéticas e ambientais que não exigem controle de pragas nem adubações, já que aclimatadas em cima de rochas sedimentares, com cerca de dois bilhões de anos de idade, surgiram há 130 milhões de anos, para viver entre nós, placidamente, sem rebuscamentos nem frescura.

Os Ficus benjamina são exóticos da Indonésia

Entretanto, essas figueiras aparentemente rústicas e enérgicas, sucumbem à mosca-branca (Bemisia tabaci) inseto encontrado em todo o mundo e provavelmente originário da Índia. São muitas as plantas hospedeiras dela, calcula-se que mais de 900 permitem a vida e procriação desta mosca que, supostamente, transmite uma centena de vírus. A B. tabasi prolifera graças aos ventos e ao transporte de resíduos vegetais contaminados. Segundo afirma o pesquisador Francisco José Zorzenon, do IB (Instituto Biológico). Mas apesar de matar as árvores, como já vem ocorrendo em São Paulo, a possibilidade da mosca-branca causar danos a pessoas e animais é mínima, o único perigo é o de alergia entrando em contato com os fungos das folhas caídas, se a pessoa está com resistência baixa, pode acabar se coçando e espirrando.

Mosca-branca

De forma sugestiva essa mosquinha nos ensina a olhar em direção ao nosso lado genuíno e autêntico, um espaço pleno de recursos florísticos a espera de nossa atenção. Como diria Charles Dickens, autor de Oliver Twist, “cada fracasso ensina ao homem algo que ele precisava aprender”.

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3 Comments

  1. Prezado Raul,

    O tempo de formação das rochas e solo não são contemporâneos da vegetação, as espécies que temos por aí são posteriores à última glaciação algo em tor no 20.000 anos.

    um abraço.

    Guilherme

  2. Querido Raul Cânovas, a espécie de mosca-branca-dos-ficus Singiella simplex (não é a Bemisia) originária da Índia, foi relatada pela primeira vez no Brasil por professores da Universidade Rural do Rio de Janeiro em 2009. Venho encontrando essa praga disseminada em muitas cidades, desde o nordeste até o sul do Brasil. Devastadora, a praga desfolha consecutivamente as árvores do gênero Ficus, levando-as muitas vezes a morte. Acredito, mesmo sendo uma espécie exótica e considerada invasora por muitos, que essas plantas mereçam nossa total atenção. A população não quer saber se a árvore é nativa ou é exótica, se nasceu lá por acaso ou foi plantada. Ela é uma árvore, um ser vivo que merece cuidados e atenção como qualquer outra espécie. Concordo que muitas espécies não são adequadas as vias públicas e que novos plantios até poderão ser evitados, mas desde que não haja negligência com as que aí estão…Por isso venho pesquisando formas de controle da praga com produtos naturais, menos agressivas ao meio ambiente e que sejam eficientes…É a minha modesta contribuição e opinião. Abraços!!!

    • Antes de mais nada, querido amigo Francisco,fico grato com mais esta contribuição sua. Concordo totalmente com a sua opinião quando se refere as essências exóticas e aos cuidados que lhes devemos dispensar – afinal das contas também eu sou uma espécie exótica, rsrsrs – mas não vou poupar meus esforços para que os paisagistas conheçam mais e melhor nossas nativas e as incluam nos projetos. Só desse modo estaremos praticando um exercício de sustentabilidade realmente válido, contemplando resgatar a paisagem genuína de cada região do país, para valorizar nossa historia.

      Abraços verdes!!!