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Paisagismo e Jardinagem

Água e minha sede de consciência

A receita para fazer um corpo humano leva, entre outras coisas, 45 litros de água. Outros ingredientes como oxigênio, nitrogênio, carbono e hidrogênio são importantes, além de temperá-lo com fósforo, potássio, enxofre e outros pós de pirlimpimpins que condimentam essa massa corporal.

Por fim, nos transformamos nisto que o espelho reflete. Só que ele não mostra a consciência, apesar de ser ela que nos capacita para analisar essa imagem de modo subjetivo, às vezes crítica outras condescendente. É ela o combustível da mente que permite que examinemos o que há ao nosso redor. Graças a ela sonhamos, deliramos, sofremos ou somos felizes. Intuímos e nos equivocamos, deduzimos e acertamos.

Uísque, mojito, gin e absinto “alimentavam” a criatividade do Nelson Rodrigues, Edgar Allan Poe, Ernest Hemingway, Toulouse-Lautrec, Vinicius de Moraes e do Al Pacino. Mas, o que seria deles sem o outro líquido que, ironicamente, desprezavam? Conseguiriam viver sem água? É claro que não!

Sei – e a vida de jardineiro me ensinou isto – que a água é fundamental para a sobrevivência dos animais, das plantas e de nós mesmos. Desde criança sigo as notícias sobre a possibilidade da existência de água no planeta Marte e foi na escola que aprendi, fascinado, sobre os aquedutos romanos.

Hoje percebo, alarmado, uma situação chocante, não mais me importando com o planeta vermelho e seus recursos hídricos e totalmente desinteressado das obras do Império Romano. Temo que o Brasil, por falta dessa consciência a que me refiro, siga a trilha trágica da Líbia que, sendo uma província do Império Romano, contava com florestas de oliveiras, romãzeiras, tamariscos e figueiras, para depois tornar se um deserto seco, castigado por tempestades intermitentes de areia. O mesmo aconteceu na civilização maia, onde hoje geograficamente estão situados: México, Guatemala, Honduras e El Salvador, entrando em decadência e levando um povo culto e desenvolvido ao colapso, por causa de desmatamentos, agricultura improdutiva e um gerenciamento péssimo da água.

Estou preocupado, porque mesmo que alguns prefiram um vinho a um copo de água mineral, penso com sarcasmo: como regarão os vinhedos? Será que teremos que aprender a sobreviver com os beduínos que habitam o Saara?

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