Amostras da flora brasileira na Europa voltam ao Brasil
Aproximadamente 540 mil amostras de nossa flora, que fazem parte do acervo dos museus Nacional de História Natural, de Paris, e do Kew Gardens, de Londres, serão restituídas e integradas ao herbário virtual Jardim Botânico do Rio. Essas amostras foram levadas por Martius, Spix, Thomas Ender, Humboldt, Bonpland e Saint-Hilaire, entre outros, a esses países quando passaram pelo Brasil entre os séculos 18 e 20.

Rafaela Campostrini Forzza, coordenadora do herbário físico do Jardim Botânico e do futuro herbário virtual, comentou que essas plantas podiam ser examinadas pelos nossos botânicos, para teses de mestrado e doutorado, entretanto era necessária uma viagem à Europa para observá-las. Somando esta coleção ao herbário virtual, pesquisas mais profundas poderão ser feitas pelos nossos botânicos.

A coordenadora, em entrevista à Agência Brasil, afirmou: “Agora, o que a gente vai fazer é dar acesso a essas imagens para muito mais gente, ao mesmo tempo, o que é muito bom. A difusão científica é isso; todo mundo poderá ter acesso a uma informação que é preciosa para o Brasil, já que essas amostras foram coletadas aqui e vão nos ajudar a conhecer melhor nossa flora”.
Além das coleções de Londres e Paris e do próprio Jardim Botânico, o herbário virtual terá imagens e informações de outros museus da Europa “que vão entrar nessa iniciativa com a gente”, segundo afirmou Rafaela. O Jardim Botânico já possui 300 mil amostras prontas para incluir no herbário virtual. A intenção é lançá-lo com meio milhão de amostras de plantas, completou. O herbário deve funcionar até novembro deste ano.

A iniciativa faz parte do Programa Plantas do Brasil: Resgate Histórico e Herbário Virtual para o Conhecimento e Conservação da Flora Brasileira (Reflora), criado em 2010 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) tendo parcerias das empresas privadas, Vale e Natura, além de fundações estaduais de amparo à pesquisa. O Reflora prevê investimentos de R$ 21 milhões.
A mineradora Vale doou, no último dia 24, R$ 1,74 milhão para o resgate e digitalização das imagens e dados da flora brasileira que estão na coleção do museu francês. A empresa pretende com estas informações, recuperar e conservar a biodiversidade de áreas afetadas pela mineração.







