Crise da água na India
A escassez pode levar a um conflito entre nações, segundo afirmou Rajendra Pachauri, presidente do IPCC, órgão da ONU que monitora as mudanças climáticas.

Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). A organização foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz em 2007
Países como Índia são susceptíveis de ser duramente castigados pelo aquecimento global, que trará secas e, consequentemente, uma grave escassez de água afetando a produção agrícola e o abastecimento de alimentos.
Infelizmente, o mundo não despertou para a realidade que vamos enfrentar, disse Pachauri, aos participantes em uma conferência sobre a segurança da água na semana que passou.
“Se você olhar para os produtos agrícolas, se você olhar para a proteína animal – cuja demanda é crescente – que é altamente dependente de água e ao mesmo tempo o lado da oferta, poderá imaginar os futuros constrangimentos” comentou o presidente do IPCC.

Manifestantes protestam contra a escassez de água em Delhi, capital da Índia.
Inundações e secas causadas pelas alterações climáticas, poluição de rios e lagos, desmatamento, urbanização, excesso de extração de água subterrânea e expansão populacional mostram que muitas nações, como a Índia, enfrentarão uma grave escassez de água. Além disso, a demanda para alimentar os indianos, resultou em uma necessidade de aproveitar mais água para hidrelétricas e usinas nucleares.
Hospitais em Deli cancelaram cirurgias porque não tinham água para esterilizar instrumentos, nem para fazer os serviços de limpeza e lavar as mãos da equipe médica. Shoppings de luxo da capital indiana foram forçados a desligar os aparelhos de ar condicionado e fecharem os sanitários.
Pachauri alertou para a necessidade de aprimorar a tecnologia, tornando-a mais eficiente, principalmente na agricultura, onde há grande desperdício e comentou as tensões entre as comunidades ribeirinhas, onde a água é mais abundante, e as montanhosas, carentes de recursos hídricos. Índia enfrenta conflitos com Bangladesh e Paquistão que a acusam de monopolizar os fluxos de água.
A 15.000 km de distancia vivemos uma situação cada vez mais parecida – e dramática – com a dos indianos.







