Onze-horas
Amanheci com frio. Era pouco mais das 6:00 h. quando a luz dissipou a escuridão.

Não era uma luz viva, era apenas um claridade fraca e sem brilho que pouco me incentivava. Nós, onze-horas, precisamos de sol para abrir nossas pétalas. Ele é a única estrela que através de seu brilho me faz sentir viva, alivia minha dor e me acorda elevando uma espécie de serotonina vegetal. No entanto, um exercito de nuvens tampou completamente o céu, onde o sol brilha e fiquei prostrada, não no sentido literal já que todas as onze-horas somos fisicamente prostradas, coladas ao chão. Mas prostrada no sentido de deprimida, sem o menor ânimo de abrir minhas flores e expor suas corolas para minhas amigas abelhas.
Estou apática, sentindo-me inútil por não conseguir desabrochar e, neste humor depressivo, percebo que, com o desamparo, estou murchando no meio de uma apatia que o dia cinzento oferece.
Vou continuar dormindo e, de pétalas fechadas, sonhar com um amanhã radiante, com um azul cintilante e um sol cor de laranja, que revigorize minha vontade de ser uma onze-horas de verdade.







