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Paisagismo e Jardinagem

Para que servem as árvores

Poderia começar este texto afirmando que elas fornecem a madeira para uma série de utilidades no mobiliário, na construção e na produção de polpa de celulose para fabricação de papel. Igualmente sua utilidade se estende à produção de frutos que nos alimentam. São tantos e tão nutritivos! Abacates, mangas, limões, graviolas e as jacas que adoro saborear. Elas também são os lares de uma fauna vastíssima, composta por formigas, pássaros e muitos outros bichos que encontram nelas o sustento para sua subsistência.

Tudo isto seria suficiente se não fosse a explosão demográfica que tomou conta do planeta. O tamanho das cidades aumentou enormemente nas últimas décadas e, no Brasil, já são mais de 40 municípios que passam de 500 mil habitantes. Para se ter uma ideia, Belo Horizonte tem mais gente que Paris e todos os portugueses que moram em Lisboa caberiam na cidade de Londrina, no Estado do Paraná. E mais, somando todos os homens e mulheres que vivem em Roma, Madri, Atenas, Barcelona e Milão não alcançaríamos a população da cidade de São Paulo.

Essa massa humana precisa de oxigênio para respirar e são as árvores as produtoras desse elemento fundamental a nossa sobrevivência.

Entretanto, ainda não há uma política correta por parte das prefeituras, na hora de projetar alamedas. A escolha é complexa, devendo observar se a opção recairá naquelas de folhagem perene ou caducifólia, estas últimas são ideais nas regiões de climas mais frios nos meses de inverno, já que permitem a entrada do sol aquecendo as edificações; da mesma maneira, as copas podem ser compactas ou translúcidas, sendo que as primeiras devem ser cultivadas em espaços amplos e ensolarados e as translúcidas, com frondes mais rendadas, são recomendadas para as ruas estreitas ou aquelas sombreadas por causa da altura dos prédios. Além disso, a ramagem pode obedecer formas variadas, desde estreitas com formas cônicas ou alongadas – como é o caso do pau-formiga (Triplaris brasiliana) – até as largas com copas estendidas, como o flamboyant (Delonix regia), que pode alcançar um diâmetro de 40 metros. Os troncos e as galhadas devem suportar ventos e chuvas, a força das ventanias derrubam árvores de madeiras muito rígidas e os aguaceiros agregam um peso extra que essas árvores deverão segurar para não cair causando transtornos e acidentes. Outro aspecto não menos importante são as raízes que, quando superficiais, podem afetar tubulações, calçadas e asfaltos. A tudo isto deve se agregar a altura final da espécie escolhida, evitando podas desnecessárias e custosas, a tolerância à poluição ambiental, floradas que não ocasionem alergias nem manchem os automóveis que por ventura fiquem estacionados sob suas copas, frutos secos e miúdos, uma vez que suculentos e/ou grandes podem acarretar acidentes com escorregões e ferimentos. Outro sim, é que a espécie tem que ser condizente com a topografia da cidade, sendo que nos fundos de vale deverão ser selecionadas aquelas de mata ciliar e, nas regiões mais altas, essências que suportem solos secos e profundos, caracterizados pela rápida drenagem.

Como se vê, a especificação de espécies arbóreas não se resume à beleza e as cores e perfumes de suas flores. Equipes multidisciplinares devem ser criadas sempre que se pretenda criar bulevares sombreados, que cumpram a função de depurar o ar das cidades onde a poluição é alta.

Fica aqui um desafio aos urbanistas, paisagistas e aos engenheiros florestais que devem ser convocados para resolver, pelo menos em parte, a poluição urbana que, só na cidade de São Paulo, mata 20 pessoas por dia por causa das doenças cardiorrespiratórias e o câncer de pulmão. Esse número é mais que o dobro do de pessoas mortas em acidentes de trânsito, quase cinco vezes maior do que o de mortes provocadas por câncer de mama e quase 6,5 vezes superior ao de mortes em decorrência da aids, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade em parceira com a Câmara Municipal de São Paulo.

Responder Raul Cânovas Cancelar resposta

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2 Comments

  1. ”Essa massa humana precisa de oxigênio para respirar e são as árvores as produtoras desse elemento fundamental a nossa sobrevivência.” Poético mas não é verdade, estão nos oceanos os principais responsáveis por fabricar o gás oxigênio que respiramos, no caso as algas.

    • Agradeço seu comentário William. Os oceanos produzem oxigênio, isto é verdade (se leu isto na revista Super Interessante) mas as árvores não produzem nada além de sombra?

      Abraços