Un auto menos
O transporte nas grandes cidades é um problema e em Buenos Aires não poderia ser diferente. Com isso sofremos todos, inclusive as plantas. Qual a primeira medida para melhorar o trânsito? Aumentar a capacidade das avenidas, nem que para isso um canteiro tenha que ser diminuído (se não eliminado).
Por sorte nessa cidade com tanta influencia europeia resolveram dar uma oportunidade às bicicletas. Quer lugar mais apropriado? Aqui não há morros, o terreno é praticamente plano. A cidade é organizada em quadrículas, permitindo que eu escolha vias paralelas para o deslocamento, evitando as grandes avenidas. Há muito mais árvores nas calçadas que em São Paulo, o que ameniza o deslocamento até mesmo em regiões muito centrais. Sua sombra também é muito bem-vinda nos tórridos dias de verão e no outono a paisagem dourada e vermelha alegra os dias que podem ser meio cinzentos. E sempre há alguma praça ou parque se eu quiser descansar um pouco e ver a vida passar.
Desde que moro aqui senti imediatamente a necessidade de ter uma bicicleta à disposição. A princípio achei que a usaria unicamente para passear. Hoje a realidade é que a uso para tudo, até para trabalhar.

Se o trabalho for pequeno e perto de casa, a bike de paisagista entra em ação!
O uso da bicicleta altera muito as paisagens que vejo diariamente. Sempre que posso opto por um caminho novo ou pouco frequentado. Como as estações aqui são mais marcadas, a paisagem vai se alterando e proporcionando novos panos de fundo para os deslocamentos. Evito as avenidas, com isso posso apreciar melhor o trajeto. O vento, o sol, a sombra das árvores, o perfume da florada dos jasmins, no finzinho agora. Aproveito a paisagem completa, com os cinco sentidos. Às vezes algum inseto resolve incomodar e teima em acertar diretamente o olho do ciclista desavisado.
A cidade se torna cada vez mais amigável às bicicletas[i] e os adeptos são cada vez mais. Muita gente sai até na balada com sua magrela, uma imagem que a principio eu não conseguia conceber como normal. Nos parques há lugar para elas, os trens estão equipados com vagões “Furgón” onde é possível transportá-las, alguns mobiliários urbanos para bicicletas são muito modernos, outros nostalgicamente antigos. Lojistas também se preocupam com a clientela do pedal. Restaurantes oferecem descontos para ciclistas. Por lei, estacionamentos podem cobrar no máximo 10% do valor de um carro para estacionar uma bicicleta.
Quem sabe quando vocês resolvam ser turistas por aqui já exista algum lugar que as alugue. Até então, deixo vocês com algumas imagens.



[i] A Cidade Autônoma de Buenos Aires há alguns anos investe em ciclovias e estruturas para os ciclistas. Estatísticas do site do governo dizem que em 2007 se realizavam apenas 30.000 viagens diárias em Buenos Aires e que em apenas três anos esse número foi quintuplicado, somando mais de 150.000 viagens em 2012. Isso representa 2% do total do transporte urbano e a projeção para 2015 deve atingir os 5%.
Para comparar números: Münster (Alemanha) é a cidade alemã onde mais se usam as bicicletas como transporte diário ao trabalho, escola, compras. Há uma seção dedicada especificamente a elas na página da prefeitura. Usa-se muito o empréstimo de bicicletas públicas. Representam 37,6% do trânsito, o que é um número muito significativo mesmo para a Alemanha.







