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Paisagismo e Jardinagem

A paisagem nos contempla

Jardins das Tulherias

A paisagem nos contempla e, embora estática, quase quieta, se ilude na maioria das vezes esperando que devolvamos seu olhar, com nossa perspicaz soma de interpretações.

Bem ou mal entendidas e juntadas às somas das nossas vaidades, tentamos em vão recriar uma harmonia já criada divinamente, há tanto tempo.
Projetar um jardim é isto, traduzir de modo revelador o que nosso contorno manifesta genuinamente. O paisagista deve agir verdadeiramente quando procura ser original, concebendo formas que reflitam algum significado. Cada linha traçada irá se associar a outra até expressar uma emoção que deve transparecer sua cultura e a cultura da comunidade que ele representa e da qual é porta voz nessa ocasião. A paisagem inventada deve constituir-se em um enredo que manifeste não apenas massas, volumes e cores, mas especialmente sentimentos empáticos que vigorizem nossa capacidade de amar e de sermos felizes.

Foi assim no Renascimento Italiano, quando Vignola desenhou os jardins do Palazzo Farnese, na cidade de Caprarola, 50 km a noroeste de Roma, retratando tão bem a Itália do século XVI. Ou quando, mais tarde, Le Nôtre projetou barrocamente os jardins do Palácio de Versailles e os Jardins das Tulherias, entendendo que a paisagem deveria reproduzir de forma ostentosa a opulência de uma monarquia exageradamente enfeitada de perucas, bordados e banquetes. Não cabe julgar se o paisagismo desses espaços é ou não é esteticamente aprovado, ou se os jardins contemporâneos do paisagista norteamericano Thomas Church são mais naturais. O importante é entender que os paisagistas mais notáveis da história tinham a esperteza e a manha de distinguir e relacionar suas obras com aquilo que interpretava o sentimento de uma comunidade e de uma época.

O paisagismo é uma arte aplicada e portanto útil para objetivos de uso não apenas estético, mas também práticos e emocionais. Não é a manifestação apenas emocional do artista, mas a solução prática que o designer oferece sem descuidar os valores que objetivam a sublimação da beleza. Ultimamente tem-se discutido intensamente qual seria o profissional mais capacitado para projetar um jardim e, ao que parece, continuaremos debatendo este assunto. Para manter a fogueira acesa, me permitam que jogue um pouco de lenha nela: será que uma formação acadêmica, que teoriza sobre o uso do espaço, pode capacitar alguém para harmonizar uma série de árvores, formando um bosque urbano, em uma praça, por exemplo? Ou, talvez um egresso que estudou os fenômenos da flora, compreendendo as práticas agrícolas, poderia esboçar um ambiente externo, com todos os equipamentos, como piscina, terraços e caminhos?

Bem, a paisagem que nos contempla espera uma resposta a estas questões. Ela não dá mais conta de manter um equilíbrio entre o urbano e o natural.

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