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Paisagismo e Jardinagem

Paisagismo Sustentável

Além das definições clássicas, sustentabilidade é uma forma de inteligência integrada, de gerenciar as relações entre as dimensões social, ambiental e econômica das atividades humanas em um jogo ganha-ganha. Paisagismo sustentável é organizar a natureza e a paisagem a serviço do homem, nas diversas escalas, sob princípios da sustentabilidade. É mescla de ciência transversal, arte e filosofia, otimizada como ferramenta de simbiose a serviço das pessoas, dos empreendimentos, das cidades e da natureza. Sob uma ética de equilíbrio e bem coletivo e respeitando pilares de: vocação, biodiversidade, transversalidade técnica, racionalidade econômica, funções nobres e integração à natureza e seus ciclos. As políticas de parques e jardins das cidades – e a ética do paisagismo privado, tem de cumprir tais funções, cada qual à sua maneira.

Na escala individual, um simples jardim é um meio de resgatar a ligação ancestral das pessoas com a natureza, salvá-las do seu excesso de urbanidade. Um ato de saúde e de espiritualidade, um reaprendizado da nossa conexão com a teia da vida.

A boa cidade é feita da mescla do natural com o construído, não só de concreto e asfalto. Florestas urbanas, parques, praças, vias públicas arborizadas, jardins públicos e privados, plantas e bichos – todos são partes vitais dos ambientes e das cidades saudáveis – sob a ótica da saúde pública. Neles acontecem os serviços ambientais, a atividade física, os esportes, o desestresse, o convívio social, a interação restauradora das pessoas com a natureza. Precisamos combater o mito do PAC e colocar na agenda das cidades e do país a importância da natureza e seus serviços vitais para o desenvolvimento. Fábricas de ar, água, paz, vigor, inspiração, saúde e outros bens essenciais.

O bom paisagismo deve ser visto e usado como ferramenta primária de diversas políticas sociais – de saúde, educação, segurança alimentar, infraestrutura, acessibilidade e mobilidade, assistência social e desenvolvimento turístico, entre outras. Aplicada não só a áreas verdes, mas a conjuntos habitacionais, escolas, obras de infraestrutura, vias e espaços públicos e privados da cidade. Não um luxo para ricos, mas uma necessidade de todos. Premissa de desenvolvimento urbano, social e econômico.

Tal atividade e sua cadeia devem assumir o compromisso com o conservacionismo – no respeito aos ciclos naturais; na proteção de biomas, suas espécies e indivíduos; conservando nossas águas, isolando áreas de risco, criando corredores ecológicos e cidades permeáveis. Mas também ao aproximar a população da natureza em espaços de uso, abominando os domínios intocáveis; e ao entender, proteger, expressar e celebrar a megabiodiversidade brasileira, campeã mundial.

Sob a ótica econômica, não se trata só de uma cadeia produtiva forte, mas necessária ao desenvolvimento. É preciso propor o uso da força da natureza como solução econômica e de gestão – com a valorização dos empreendimentos, os ganhos de produtividade pelos ambientes saudáveis e inspiradores, os ganhos sociais, econômicos e políticos advindos da sua aplicação.

Por fim, do ponto de vista institucional, a participação e a cidadania qualificadas são fundamentais para uma democracia evoluída. Assim, é dever dos paisagistas, da cadeia produtiva e de suas associações, não só praticar esta ética sustentável, mas participar da vida das cidades, disseminar e defender tais posições perante a sociedade e a gestão política, liderá-los para uma boa gestão. Mais do que jardins, precisamos projetar nossas cidades, nossa economia e nossa nação desenvolvidas a partir do verde. Não à toa presente em quase 70% de nossa bandeira – como um recado do passado e um imperativo do presente para a nossa consciência coletiva.

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