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Paisagismo e Jardinagem

Pensar árvores nas cidades

Orla de Santos, equilíbrio entre natural e construído

Arborização urbana não é só plantar mudas, é muito mais. É valorizar, defender e usar bem as árvores e as florestas urbanas como infraestrutura útil – sob a ótica econômica, social, urbanística e institucional, nos territórios públicos e privados da cidade. É organizar e integrar – pelo bom planejamento e gestão, a infra-estrutura natural com a de engenharia e urbanismo clássicos. Primeiro reforçando o status das árvores e florestas como tal, não como “meio-ambiente-inútil”; então, fazendo com que redes aéreas e subterrâneas, calçadas – e todos os outros elementos construídos, sejam planejados, adaptados e operados para o bom convívio com as árvores, suas raízes e copas; também regulando os projetos de microparcelamentos e de uso do solo primeiro para o aproveitamento máximo de florestas e árvores existentes, depois para o plantio, entre outras providências para o equilíbrio entre o natural e o construído – a fórmula da boa cidade.

Árvores acolhendo trabalhadores no descanso

Para tanto, o Brasil precisa de doses maciças de planejamento urbano e ambiental, transdisciplinar e sistêmico, pensando as cidades não para os carros, mas para as pessoas – em espaços saudáveis de ir e vir, de estar, de convívio, lazer e esportes, de contato com a Natureza. Tudo isto combina com árvores. Por exemplo, estacionamentos “fornos urbanos” tornando-se “estacionamentos florestas” sem prejuízo algum, só ganhos. E vias privilegiando o pedestre, o ciclista e o transporte público, não os carros, sobrando assim espaço para as árvores acolherem as pessoas e as redes conviverem melhor.

Estacionamentos florestas substituindo fornos urbanos

As calçadas precisam ser resgatadas como espaços públicos, pois elas foram apropriadas pelo domínio particular, em sua maioria. Nelas, vivemos um triângulo nada amoroso entre as árvores, os interesses menores das pessoas e uma gestão obtusa e unilateral de infraestrutura construída. Estas áreas são críticas, pois árvores precisam estar perto para ajudar no sombreamento e na infiltração de água – contra o aquecimento urbano e as enchentes. E para fazer bem às pessoas perto de suas casas e locais de trabalho. Segundo estudos da Esalq-USP, o efeito benéfico das árvores não se estende por mais do que 40 metros. Além das calçadas, é preciso incorporar quintais, recuos nos lotes e até trechos das vias como espaços para as árvores.

Convívio moderno entre infraestruturas urbanas

Sob a ótica institucional, arborização urbana e paisagismo sustentável não são possibilidades do gosto estético dos Senhores Prefeitos, Secretários, técnicos, jardineiros de plantão ou proprietários de imóveis, mas um imperativo de inteligência urbanística lastreado pelos preceitos de boa gestão pública e por vários artigos constitucionais relativos à saúde, ao desenvolvimento urbano e sustentável, ao direito fundamental ao meio ambiente. Temos de tirar o caráter filantrópico, leigo, alternativo ou supérfluo das políticas de arborização e torná-la política pública obrigatória de infraestrutura. Nunca ouvi falar em plantio de postes no “Dia dos Postes” ou em distribuição gratuita de tubos de esgoto.

Como fazer esta mudança? Pela mudança de mentalidade e pactuação – usando o egoísmo esclarecido mais do que a visão ambiental; observando e adotando as boas práticas espalhadas pelo mundo desenvolvido; pela implantação de um bom Plano Diretor de Arborização Urbana – acoplado a um Plano de Paisagismo Sustentável, como parte do planejamento e das políticas públicas das cidades; e da participação maciça dos diversos profissionais no cotidiano das mesmas – uma cidadania qualificada cobrando o respeito às posições técnicas e de bem comum nos diversos assuntos. Pois respeito não é dado, mas conquistado.

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