Tempo (cronológico) na Jardinagem Ecológica
Ao fazer jardins, com o passar do tempo (cronológico) em um tempo (climático) extremamente variável como o clima subtropical do Rio Grande do Sul, fui percebendo o quão difícil é lidar com tais variáveis sem se preocupar demasiadamente. Dominar esta questão é uma arte a ser constantemente aprimorada. Um planejamento não pode ser ‘duro’ e ‘cronometrado’, temos que dar chances aos ‘acasos’ de ‘n’ fatores. Além dos velhos conhecidos (chuva, sol, vento, etc.) de quem trabalha em áreas externas, existem outros fatores a serem considerados, como o tempo cronológico.
O tempo, da maneira como o vivenciamos hoje, respeitando horas e turnos definidos pelo relógio, tem se apresentado como um grande gerador de ansiedades. Deixamos de respeitar nosso ritmo biológico para nos encaixarmos em um tempo artificial, o qual penosamente tentamos cumprir. Como comenta Eliane Brum em um de seus textos, “assim como o ar é a atmosfera do corpo, o tempo é a atmosfera da mente. Se o tempo no qual vivemos consiste em meses e dias desiguais, regulados por minutos e horas mecanizadas, é nisto que se transforma nossa mente: uma irregularidade mecanizada”.

Dentro disso, percebo que fazemos um grande esforço para mantermos qualquer situação sob nosso controle, preocupados para que tudo ocorra da maneira que tem de acontecer em um determinado tempo. E me pergunto: como seria se experimentássemos deixar tudo fluir? É um exercício difícil, mas, ao que parece, é necessário. As mudanças causadas pela passagem do tempo não precisam ser dadas como melhores ou piores. As coisas afinam e desafinam, vão e voltam, são cíclicas. Ao aceitarmos que não precisamos previamente enquadrar as mudanças como algo definitivo, bom ou ruim, nos permitimos admirar os diferentes caminhos que elas podem tomar e descobrir novas possibilidades. Como seria planejar um jardim assim?
No próximo artigo discorrerei como que podemos fazer jardins deixando fluir as forças do acaso e da natureza.








Muito bom, querido Tony. Estou encantada com esta tua fase de explicar o ajardinar com filosofia. Boa demais.
Adorei, sábias palavras grande mestre!!!