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Paisagismo e Jardinagem

Vamos falar sobre abelhas

“Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana”. (Albert Einstein)

As abelhas são muito importantes, porque, além da produção de mel elas são responsáveis por pelo menos 1/3 da produção mundial de alimentos e pelo equilíbrio ambiental, promovendo maior diversidade da flora através da polinização.

O desparecimento das abelhas tem preocupado muito a comunidade científica internacional e as hipóteses mais prováveis são: o uso indiscriminado de agrotóxicos, desmatamentos, queimadas, plantas geneticamente modificadas (transgênicas) e etc.

A maioria das pessoas conhecem as abelhas da espécie Apis mellifera, que é um híbrido das abelhas europeias com as abelhas africanas e que são chamadas de abelhas com ferrão.

Apis mellifera
Foto de Luc Viatour, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=920602

Existem abelhas que não possuem o ferrão ou que possuem o ferrão atrofiado e que são chamadas de abelhas sem ferrão.

Os índios já conheciam essas abelhas e utilizavam o seu mel. Por isso essas abelhas possuem nomes indígenas e são conhecidas como abelhas nativas ou abelhas indígenas.

No mundo existem aproximadamente 400 tipos de abelhas sem ferrão. No Brasil existem aproximadamente 250 tipos de abelhas sem ferrão.

O criador de abelhas com ferrão é denominado apicultor, enquanto o criador de abelhas sem ferrão é denominado meliponicultor.

O meliponicultor difere do apicultor porque aquele tem que ter à sua volta muitas plantas nativas e específicas do lugar onde ele faz a criação. Ele não precisa de muito investimento e nem roupa de proteção e, também por isso, existem muitos meliponicultores que exercem essa prática por puro hobby, como atividade de prazer e relaxamento nos tempos livres, pois não exige muito tempo para manejo e pode ser feito em qualquer idade, além de colaborar muito com o meio ambiente.

Entrada do ninho de Jataí

Essas abelhas são normalmente encontradas nos troncos das árvores, no chão, nos barrancos, nos muros, nas caixas de luz e até mesmo nas paredes das casas ou dos prédios.

Em São Paulo existe um grupo destinado a informar sobre a existência desses seres tão importantes através da educação ambiental e do resgate ou realocação das abelhas sem ferrão, como eles mesmos se definem (SOS Abelhas sem Ferrão).

A maioria das abelhas sem ferrão é menor do que as abelhas com ferrão.

Exemplo de algumas abelhas sem ferrão encontradas em São Paulo:

jataí (Tetragonisca angustula), jataí-da-terra (Paratrigona subnuda), mirim-droryana (Plebeia droryana), boca-de-sapo (Partamona helleri), lambe-olhos (Leurotrigona muelleri), uruçu-amarela (Melipona rufiventris), iraí (Nannotrigona testaceicornis), abelha-verde ou green bee (Pseudaugochloropsis graminea), mamangava (Bombus hypnorum), entre outras.

A abelha verde ou green bee é a polinizadora das orquídeas e a mamangava é a polinizadora do maracujá (sem a polinização dela não ocorre o fruto).

Nem todas as abelhas nativas ou indígenas são sociais; algumas vivem solitárias, sem ser em grupo.

Dada à importância das abelhas, todas as pessoas que estão envolvidas em atividades diretamente relacionadas com elas ou que podem simplesmente destruí-las têm que ajudá-las: agricultores (não devastar, deixar mata nativa), pecuaristas (não confinar os animais e plantar árvores nativas nos pastos), paisagistas (realizar projetos utilizando o maior número de plantas nativas do lugar onde atuam), construtoras (verificar as plantas que podem ser aproveitadas antes de suprimi-las para construir).

Se quisermos que a humanidade sobreviva, nunca é demais o trabalho de todos em prol das abelhas nativas. Todos temos um contributo para o presente e para o futuro, como bem nos alertou Albert Einsten.

Formada em Biologia, professora Titular de Ciências, aposentada, da Prefeitura Municipal de São Paulo. Faço parte dos grupos: Comunidade da Revista Natureza, Meu jardim minha paixão, Identificação botânica, Somos jardinistas, SOS abelhas sem ferrão, Meliponicultura - abelhas sem ferrão.

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22 Comments

  1. Muito interessante este artigo. Parabéns Marcia

    • Obrigada Wilson.
      Abs

  2. Interessante artigo… não sabia desta distinção entre apicultor e meliponicultor. Informação é que leva a conscientização e em seguida a desejada preservação !

    • Com certeza, Glênio.

  3. Parabéns Marcia!!
    Bom seria se o ser humano tivesse consciência para não destruir a Natureza!!
    Vai custar muito caro o que estão fazendo!!
    Bjs

    • Obrigada Odette.
      Seria muito bom que não o ser humano não destruísse a Natureza.
      Com certeza vamos pagar muito caro…
      Bjs

  4. Muito bom texto! Parabéns Marcia

    • Obrigada Ana Luiza.

  5. Parabéns Marcia! Amei a matéria de abelhas sem ferrão!

    • Obrigada,Edinalva.

  6. Parabéns! Precisamos cuidar do ambiente e vc faz sua parte!

    • Obrigada Laura.
      Precisamos cuidar do ambiente e fazer a nossa parte.
      O pouco de muitos torna-se muito.
      Isso faz a diferença.

  7. Gostei muito deste texto, e me animei em fazer criação destas abelhas no Sítio onde moro.
    Vou procurar saber mais sobre isso.
    Grata.

    • Oi Claudia, não é tão difícil.
      Basta guardar umas caixas de leite ou garrafa pet (forrada com plástico preto), lavar bem, colocar um atrativo e espalhar pelo Sítio.
      Boa sorte.

  8. Amo as abelhas, adorei a matéria, parabéns!
    No quintal do meu filho tem essa abelha na que faz um canudinho no muro.

    • Obrigada Auta.
      Provavelmente é uma jatai.

  9. Olá Márcia, Boa Noite!
    Parabéns pela publicação.
    Um abração!

    • Olá Mário!
      Obrigada.
      Abs

  10. Agora sou mais admiradora das abelhas. Parabéns Marcia, belo trabalho.

    • Oi Ciera.
      Depois que comecei a estudar esses seres maravilhosos também admiro muito.
      Obrigada.

  11. Ótimo texto esclarecedor, parabéns!

    • Obrigada Rosmari.