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Paisagismo e Jardinagem

Plantas que adoram estiagem

Com alguma frequência visito Brasília e observo jardins sofridos, por causa de um período grande de seca sazonal, entre maio e setembro. Embora nos outros meses chova com uma certa frequencia, os níveis de umidade relativa do ar ficam baixos o resto do ano, prejudicando o desenvolvimento de algumas árvores, arbustos e gramados que ficam com aparência ressequida. Isto seria preocupante se não tivéssemos a disposição uma flora riquíssima que prefere climas áridos, suportando estiagens prolongadas. Espécies que, por estranho que pareça, não simpatizam com regas nem cuidados especiais. Muitas dessas plantas são nativas do cerrado e outras exóticas já estão adaptadas graças aos produtores que as cultivam na região.

Anadenanthera colubrina – angico-branco

Anadenanthera colubrina – angico-branco

A lista seria imensa e ocuparia um espaço grande nesta crônica, mas não posso deixar de mencionar algumas que deveriam ser mais aproveitadas no paisagismo do Distrito Federal. Árvores como: o louro-branco, a canela-sassafrás e o jacarandá-bico-de-pato propiciam boa sombra. Arbustos que estimulados pela falta de chuvas, florescem em abundancia, tais como; caliandras vermelhas, falsos-azevinhos, e as que são conhecidas como cabeça-de-velho (Euphorbia leucocephala) devido a cobrir-se de pétalas brancas. Há também as trepadeiras que podem colorir os invernos com suas flores, a exemplo do jasmim-dos-poetas, o cipó-rosa e a trombeta-chinesa. Também percebo que alguns espaços gramados poderiam ser modificados por grandes canteiros de plantas baixinhas, como onze-horas, estrela-do-egito, bulbine, bálsamo, roseta-de-sol e outras tantas que dispensam regas.

Calliandra tweedii- esponjinha-vermelha

Calliandra tweedii- esponjinha-vermelha

O paisagismo do século XXI se caracteriza pela despretensão e naturalidade de suas formas. Desprezando excessos de regas, podas e adubações exageradas. Os jardins devem ser auto-sustentáveis, pelo menos na medida do possível, permitindo economia de insumos e de mão de obra. Há uma tendência que nos leva a simplificar nosso modo de viver priorizando o bem-estar, sem no entanto descuidar a estética das áreas verdes. Noto uma propensão no mundo todo de incorporar ervas aromáticas e comestíveis que, além de alegrar os olhos, trazem saúde e outros prazeres que não se limitam apenas à contemplação: alecrins, lavandas, camomilas, cavalinhas, pimentas-de-caiena e muitas outras podem fazer de você uma pessoa mais descontraída e animada passeando no jardim.

Raul Cânovas nasceu em 1945. Argentino, paisagista, escritor, professor e palestrante. Com 50 anos de experiência no mercado de paisagismo, Cânovas é um profissional experiente e competente na arte de impactar, tocar, cativar e despertar sentimentos nos mais diversos públicos.

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2 Comments

  1. Em Petrópolis num lugar chamado Brejal.Vi essa linda flor !e que cor !!quel flor e essa?

    • Olá Yashiko,

      A qual flor se refere?